Canto da Amazônia: Jovem maestro ministra curso que busca ressignificar canções amazônicas

O professor de música Afonso Portela foi contemplado no edital de formação com o projeto “Canto da Amazônia”. O curso teve uma média de 48 horas de duração, e se encerrou através de um concerto realizado no dia 23 de janeiro no teatro da Usina de Artes João Donato. Em entrevista, ele destacou a relevância da lei Aldir Blanc: “acredito que esse incentivo à cultura que a FEM proporcionou referente ao meu projeto viabilizou discussões a respeito das características e elementos da música amazônica.”

A oficina ofertou vagas para trinta pessoas, sendo 20 para alunos ouvintes e 10 para alunos participantes. O projeto recebeu 26 inscrições, mas no total apenas dez pessoas concluíram o curso. A formação buscou tratar sobre as relações e o poder latente da música contida nos textos e na retórica musical, além de uma análise da “poética” sonora. A junção desses subsídios foi primordial na ampliação de perspectivas vocais amazônicas, não só em seu sentido musical, mas também cultural.

A cantora e produtora Lara Pontes participou do curso e do concerto “Canto da Amazônia” e revela que se sentiu presenteada por já trabalhar com isso. Sobre o aprendizado de músicas nativas ela explica: “as músicas da Amazônia têm um jeito especial de serem cantadas por conta das palavras que geralmente são muitas em um espaço curto, por isso, é preciso articular a dicção, as palavras e o tempo.”

A pesquisa de mestrado de Afonso teve como tema “Figuras expressivas que representam elementos amazônicos em canções de Waldemar Henrique: figuração e interpretação.” O estudo da temática foi fundamental para a realização das atividades, pois ele já trazia consigo ideias e questionamentos internos, e a partir de análises sobre identidade vocal e interpretações ele encontrou meios de organizar isso para apresentar a outras pessoas.

Uma de suas conclusões pessoais é de que a essência “pura” das músicas amazônicas só pode ser encontrada nos povos indígenas, logo que as populações urbanas têm elementos sonoros derivados da tecnologia, além de diversos seguimentos culturais provindos da miscigenação do país.

  O jovem maestro aproveitou as viagens que fez fora do estado para adquirir novas técnicas vocais. Para ele o conhecimento é algo que deve ser compartilhado e essas experiências foram de fundamental importância para que ele pudesse partilhar do que aprendeu. O musicista também pautou que muitas pessoas não têm oportunidades e nem acesso como ele teve.

Seu trabalho como professor neste projeto foi uma maneira de contribuir e facilitar o acesso a esse material.

“Como professor acredito que aquilo que eu consegui adquirir com a minha ida a outros lugares para aprender com outros professores, foi para que eu pudesse compartilhar com as pessoas daqui, para que a gente pudesse desenvolver mais essa ideia de interpretação musical.” disse o maestro.

Afonso, além de ministrar o curso, também foi uma peça chave no concerto “Canto da Amazônia” atuando como cantor, pianista, diretor e preparador vocal. O professor ficou orgulhoso do resultado e agradeceu a participação não só dos alunos, mas também da banda de apoio.

  O que mais marcou os alunos durante o curso, além do contato com as próprias raízes, foi a acessibilidade do professor. Gabriel Rodrigues, professor de Direito, disse que gostou de participar das aulas mesmo sendo um cantor “amador”, e que os direcionamentos do maestro foram de grande importância para ele. “É um professor de canto incrível” elogiou Gabriel.

O jovem maestro ressalta que a discussão sobre as músicas amazônicas ainda é longa e que buscará compreender mais e mais sobre o assunto a longo prazo. Isto significa que brevemente podemos esperar dele novos projetos que resinifiquem o espírito e a voz do povo do Acre e da Amazônia.