Do lixo ao luxo: desfile de moda no Acre pauta criatividade e sustentabilidade

 

“Cada um se veste conforme algo que acredita”

Você já pensou em usar uma roupa feita apenas por retalhos? A criatividade e a sustentabilidade foram os principais pilares para que o desfile do Eco Moda Acre fosse criado por Denise Arruda. O evento foi aprovado no edital de Arte e Patrimônio lançado pela Fundação de Cultura Elias Mansour (FEM) com recursos da Lei Aldir Blanc, e aconteceu no último sábado, dia 3, no Gran Reserva.

O projeto não reuniu apenas beleza, mas também consciência com o meio ambiente, influenciando o consumo sustentável das roupas. Foto: Hannah Lydia/FEM

A ideia surgiu há pouco tempo, assim que Denise descobriu que sua mãe guardava muitos retalhos e queria se desfazer. A principio, ela não sabia o que fazer com eles, mas se comprometeu a fazer algo um dia, pois, segundo relata, “com criatividade e consciência podemos transformar o lixo nas peças mais luxuosas”.

Um estudo feito pela FGV Projetos, encomendado pela ABVTEX (Associação Brasileira do Varejo Têxtil), revela que, no ano de 2012, as famílias brasileiras gastaram cerca de R$ 102,00 com artigos têxtis. Esse valor representa 37% do total de gastos das famílias, superando os medicamentos e eletrodomésticos. Ainda segundo a pesquisa da FGV, as mulheres são quem lideram as compras do setor, sendo 45% referente à compra de roupas femininas e apenas 36% de roupas masculinas.

O projeto não reuniu apenas beleza, mas também consciência com o meio ambiente, influenciando o consumo sustentável das roupas.

“Cada um se veste conforme alguma informação que deseja passar. Se eu sou hippie, vou me vestir de uma forma. Cada um se veste conforme algo que acredita!”

Denise Arruda

 

Mas, afinal, o que a moda tem a ver com a cultura? Tem tudo e mais um pouco. Cultura e moda estão intrinsecamente ligadas por apresentar diversas possibilidades de percepção, de design. A roupa, o corpo, a pele, as posturas, os gestos e técnicas são apenas uma consequência dessa fusão. Patchwork, entre outras técnicas de reaproveitamento utilizadas pela estilista, envolve a história de diversos povos, crenças, culturas e, segundo suas pesquisas, a técnica advém inclusive dos períodos de guerras.

A customização, upcycling, patchwork possibilitaram que essas lembranças de Denise se tornassem realidade. O Eco Moda trouxe a ela a oportunidade de composições e cores únicas, o que tornou cada peça do desfile exclusiva. Para a curadora do desfile, moda é totalmente cultura e o evento representou bem isso. Cada participante escolheu, desenhou, idealizou suas peças com algum objetivo e inspiração. Além do processo de criação, os participantes também puderam desfilar e concorrer à uma premiação. Ashylley Yasmin, 18 anos, vencedora do primeiro lugar, explicou sobre o processo, suas inspirações e a surpresa do resultado.

“Fiquei deveras emocionada e feliz, pois senti que consegui transmitir ao júri e ao público aquilo que eu queria, que eu planejei… Estava com receio de não entenderem o conceito da minha peça”.

Ashylley Yasmin
Ashylley Yasmin, de 18 anos, alcançou o primeiro lugar no desfile Eco Moda Acre. Foto: Hannah Lydia/FEM

A  infância de Denise foi essencial na aplicação da técnica e na realização do evento. Quando ainda morava no interior, era comum o uso de retalhos para a construção de uma roupa nova. A estilista nasceu em uma família de 11 irmãos, que compartilhavam roupas entre si e, segundo ela, a roupa passava por todos até chegar nela. O desejo em ter uma roupa nova era grande, porém, devido às condições da época, o que sua mãe podia lhe oferecer era a reformulação dessas roupas.

“A moda faz parte de mim… não tinha condições de realizar uma oficina no nível que realizei, é praticamente impossível fazer um evento como o Eco Moda, e todo o financiamento recebido me possibilitou realizar. Sem a Lei Aldir Blanc, não poderia pagar nem a água dos jurados. Era algo que não tinha como fazer sem o recurso”, explica.

O presidente da Fundação de Cultura Elias Mansour (FEM), Manoel Pedro (Correinha), prestigiou o desfile e ressaltou que a iniciativa é genuinamente importante para o fomento à cultura acreana.

“Precisamos apoiar cada vez mais iniciativas como essa, que trabalham com a originalidade, com a arte e com novas perspectivas para nosso estado. Fico feliz em ver como o recurso da lei Aldir Blanc tem possibilitado a descoberta de novos talentos no Acre”, disse.

 

Confira mais imagens do evento:

Gostou? Compartilhe.

Share on facebook
Share on twitter
Share on telegram
Share on whatsapp