“É coisa de preto”: Cantora utiliza recurso para fazer samba e falar de personalidades negras

“Todo samba é preto”, é assim que a sambista Narjara Saab reconhece este ritmo brasileiro de matriz africana. A artista teve dois projetos aprovados no edital de cultura afro-brasileira, “Samba! seu legado, nossa história” e “Samba de onde vem? Mulheres”. As duas iniciativas envolvem lives temáticas. Após ser aprovada na lei Aldir Blanc, ela ressaltou a importância que isso teve na realização da proposta e na vida profissional dos artistas.

“A Aldir Blanc tem duas importâncias nesse momento, uma de financiar projetos cujo o financiamento não seria tão fácil conseguido por não serem comerciais e não atraírem grandes multidões, e a segunda de manter a dignidade, a sobrevivência e a vida de vários artistas que estão sem ganhar dinheiro por conta da pandemia.”, Destaca.

As iniciativas comtempladas pela artista foram: “Samba! seu legado, nossa história”, live em que o “Moças do samba” (grupo ao qual ela integra há sete anos) contará a história do samba e homenageará os seus 100 anos. O projeto conta com 3 lives divididas entre Narjara, Carol di Deus (também integrante do grupo) e o “moças do samba”.

 O Projeto “Samba de Onde Vem: Mulheres” apresentará sete lives que serão divididas entre as moças do samba (Sandra buh, Carol Di Deus e Narjara Saab). Narjara se reconhece como mulher preta e insere isso em seu modo de cantar, e usa desse lugar para falar sobre o que a sociedade faz com mulheres. “Pretas do samba” é uma das lives que compõe sua proposta e buscará contar a história de personalidades femininas sambistas. O repertório será composto somente por mulheres pretas como dona Ivone Lara e Leci brandão.

Para Narjara, o samba é sinônimo de lutas e resistências que se sustentam através de um recorte histórico que traz o pulsar do povo preto, e ela afirma: “todo samba é de preto”. Fazer samba e ser mulher no Acre não é algo muito comum. Ainda segundo ela, isso tudo faz parte dos processos de machismo e rejeição simplesmente por ser mulher.

 “A mulher tem que sambar ou servir a mesa, vender os quitutes e não estar na mesa cantando e tocando.” Completa. Nos anos de carreira como cantora a artista revela ter sentido bastante isso, mas mesmo assim ela afirma que “As moças do samba não se curvam a isso pois elas sabem que o lugar da mulher é onde ela quiser, seja no samba ou em qualquer outro lugar.”

O objetivo das duas iniciativas é exaltar a mulher no samba e o gênero musical em si. Ao final, elas pretendem falar de toda a comunidade sambista que construiu e resistiu ao longo do tempo. O projeto “Samba! Seu legado, nossa história” está previsto para os dias 26, 27 e 28 de fevereiro, mas ainda será confirmado em decorrência do decreto governamental  que trata da pandemia da covid-19. Apesar de se tratar de uma live há uma equipe envolvida. E o projeto “Samba de onde vem? Mulheres” acontecerá na semana da mulher de 8 a 14 de março.

Para mais informações acesse o instagram: @mocasdosamba

Fotos são para Andréia/Maison

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