“Ela foi cantar entre as estrelas”: Edunyra Assef e seu legado para a cultura acreana

Depois de anos o canto que tanto a manteve viva se transformou em silêncio. É difícil acreditar que aquela voz não será mais ouvida já que a voz sempre esteve presente em sua jornada. Ela era poliglota e cantava do português ao italiano, sua performance artística era única. Fez iluminação e cenografia de espetáculo. Estudou arquitetura. Apesar de todas as atribuições, o que fez de Dudu uma grande inspiração foi sua simplicidade que sempre era convertida em um sorriso.

Edunyra Assef, foi uma figura contemporânea que carregava consigo saberes poéticos, históricos e musicais. Ao longo do tempo foi carinhosamente apelidada de Dudu por amigos que acompanhavam sua trajetória nas artes. Sempre que podia, Dudu comparecia nos eventos culturais da cidade e, graças a suas pesquisas, ela conseguiu a reforma de obras muito importantes para o estado do Acre. A ex-presidente da FEM (Fundação de Cultura Elias Mansour), Karla Martins, a resume como uma pessoa “muito interessante e saltitante” que deve ser valorizada por tudo o que fez.

 Durante sua vida ela cultivou muitas amizades, em especial a presidente do instituto IMA (Instituto Mulheres da Amazônia), Concita Maia. As duas eram amigas desde sempre, suas mães já possuíam uma amizade de longa data e para concita elas já nasceram amigas. Mais tarde, em 1989, o festival Boca de Mulher nascia pelas mãos de três mulheres: Concita, Nena e Edunyra. Juntas elas sonharam com algo que reverberasse a voz feminina. As multi-nações de Dudu impressionavam; ao mesmo tempo em que dirigia o festival ela também era a grande estrela com seus números inesperados, cativantes e demorados.

Em entrevista, Concita definiu a amiga como uma mulher “curiosa”, culta e uma apaixonada por história da arte. Um dos traços mais marcantes de Dudu para a amiga era sua risada: “ela era dona de uma gargalhada que ecoava no universo.” Para a presidente do IMA isso não é uma despedida, mas sim um até logo: “ela foi cantar entre as estrelas.”, completa.

O presidente da FEM, Manoel Pedro (Correinha), também tem história com a artista. A história da amizade começa no bairro 6 de Agosto, “em um tempo alagadiço”. Essas características regionais foram transformadas em apelidos por Dudu. Manoel lamenta a perda dela e ressalta quem ela era.

“Conheci a Dudu há muitos anos. Ela sempre teve uma relação muito próxima com a família da minha esposa e nós nos aproximamos e construímos uma relação de muito respeito. Sempre com bom humor, Edunyra era um espírito de luz aqui na terra e que Deus a receba em um lugar, pois, onde quer que esteja, continuará sendo esse espírito de luz”, conta o presidente.

A artista partiu devido a um câncer, mas deixa um legado importante para a arte e cultura do Estado. Para encerrar a matéria, segue um trecho da música francesa “Non, Je Ne Regrette Rien”, que em português significa “eu não me arrependo de nada” cantada por Edith Piaf, uma das grandes inspirações de Dudu.

não, nada de nada

Não, não me arrependo de nada

Pois minha vida, pois minhas alegrias

Hoje, tudo isso começa contigo!”

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