FEM recebe doutorandos em arqueologia de universidades brasileiras

Por meio do trabalho da Divisão de Patrimônio Histórico e Cultural (DPHC) da Fundação de Cultura Elias Mansour (FEM), doutorandos da Universidade de São Paulo (MAE/USP) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) realizam pesquisas sobre os artefatos cerâmicos encontrados nos sítios arqueológicos do tipo geoglifos, localizados no Estado do Acre.

Cliverson Pessoa, arqueólogo e estudante do programa de Pós-Graduação em Arqueologia do Museu de Arqueologia e Etnologia da USP está desenvolvendo sua tese com foco no trabalho de classificar os artefatos encontrados nesses geoglifos, que são obras de terra que possuem mais de 2 mil anos, construídas por diferentes povos indígenas.

Vasilha decorada com técnica incisa, sítio Fazenda Atlântica, acondicionada na Fundação Elias Mansour. Foto: Cliverson Pessoa

Pessoa conta que a motivação por trás desse trabalho de análise da cultura material é a importância dele para o conhecimento da história dos povos que aqui vivem. “Na literatura arqueológica não há muitas informações sobre a cerâmica antiga do estado do Acre. Estamos revisitando o acervo de artefatos coletados em pesquisas anteriores. ”, conta.

Foram analisadas cerca de 400 peças que foram encontradas nos geoglifos acreanos. São objetos que retratam o modo de vida diário dos povos, como vasilhas, panelas, adornos, assim como peças de contextos particulares como objetos cerimoniais. Dentre essas destaca-se um banco de cerâmica altamente decorado, com um aplique, encontrado no Sítio Geoglifo JK.

Banco de cerâmica encontrado no sítio JK, possivelmente utilizado em rituais. Foto: Augusto Hidalgo

De acordo com os arqueólogos Denise Schaan, Alceu Ranzi e Martti Pärssinen no livro “Os Geoglifos do Acre”, os geoglifos são trincheiras ou valetas escavadas em solo argiloso, formando figuras geométricas monumentais e caminhos que as conectam. Eram possíveis espaços sagrados onde as pessoas se encontravam.

As figuras retratadas nos geoglifos são tão grandes que podem ser vistas por imagens obtidas através de satélites. “No sudoeste da Amazônia brasileira são mais de 800 estruturas de terra. Porém, no Acre, as figuras são muito bem delimitadas, diferente de sítios com obras de terra em outras localidades.”, relata Pessoa.

Vista aérea do sítio Atlântica. Foto: Diego Gurgel

A classificação está sendo feita em parceria com a DPHC da FEM. O trabalho da Fundação é o de inventariar o acervo para que ele seja transferido à Universidade Federal do Acre, que é a instituição habilitada a receber esse material arqueológico.

“Fomos muito bem recepcionados pelos servidores da FEM. Após visitar coleções do Museu da Borracha, iniciamos os trabalhos na Fundação com a ajuda das arqueólogas Jane Coelho e Raquel Frota, que já haviam iniciado a curadoria dos materiais. ”, conta Cliverson. “Estamos em diálogo com diversos servidores que colaboram no processo de catalogação e criação do inventário das cerâmicas dos geoglifos”.

Da esquerda para a direita: os doutorandos Cliverson Pessoa e Angislaine Costa, e as arqueólogas Jane Coelho e Raquel Frota. Foto: Carol Lamar

Espera-se que esse material possa ser acessado por outros pesquisadores no futuro e que auxilie no fortalecimento do conhecimento da história indígena. A tese está sendo feita com orientação do professor doutor Eduardo Góes Neves, professor e vice-diretor do MAE, e estará disponível no banco de teses e dissertações da USP.

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