FUNDAÇÃO ELIAS MANSOUR INCENTIVA PROJETO QUE RESGATA HISTÓRIA DE MULHERES QUE LUTARAM NA AMAZÔNIA

 No dia 5 de fevereiro o Museu da Borracha recebe a instalação a “A seringueira” da artista plástica Roberta Marisa.

O projeto é uma a exposição e também uma instalação visual que busca trazer o protagonismo das mulheres de forma potente através da arte e de pesquisas. Roberta Marisa, 31, é a artista plástica responsável pela curadoria da exposição. Ela se denomina “contadora de histórias” por ouvir o processo de luta dessas mulheres que viveram e ainda vivem em seringais na Amazônia. A iniciativa parte de uma pesquisa em que Roberta procurou saber o papel feminino na floresta que foi inviabilizado por tanto tempo.

Suas pesquisas vão desde o interior do Acre no bairro Sibéria em Xapuri até Rondônia nas reservas ao redor do rio Calcário e Costa Marques divisa com a Bolívia. A pesquisa é uma busca pelas histórias e memorias que ainda estão vivas, além de mostrá-las como principais protagonistas do desenvolvimento amazônico que sempre foi contado a partir de perspectivas masculinas.

A artista toca em um ponto da história que inviabiliza as mulheres.  Ela relata que as seringueiras narram que mesmo que tirassem a borracha quem vendiam eram os homens. Isso não era reconhecido como um trabalho mesmo que extraíssem mais que seus parceiros. Elas não podiam comercializar o que extraiam, pois, os compradores baixavam o preço.  Neste período em que as mulheres não votavam e quando casavam tinham uma vida de submissão não era permitida nenhum tipo de manifestação independente.

 A história dessas mulheres é marcada por luta e sobrevivência na perspectiva da artista; isso as torna as verdadeiras “guerreiras da Amazônia”, pelo fato de muitas não terem o que comer, caçar, além de assumirem a liderança da família em geral. Esses vários papeis desempenhados exigiram muita coragem, por isso elas merecem ser homenageadas.

A exposição traz a voz delas e a digital em forma de arte. Quando Roberta encontra uma mulher uma de suas formas de registro, além de escutar a história dela, é pintar as mãos.  Que é a mão do trabalho, da força e de onde vêm os principais marcos da vida. A mão é pintada como um garatujo, uma pintura “infantil” que na perspectiva da artista é nossa primeira expressão onde a criança começa a pintar e desenhar. Esse momento simbólico traz um pouco da pureza pois a maioria dessas mulheres é analfabeta. A artista define essa expressão como algo simples e primário, mas que é significativo. Roberta afirma “não é um trabalho que eu falo, é um trabalho que elas contam. É um trabalho humano e real. ”

Marisa ressaltou a importância da lei Aldir Blanc na execução de seu projeto para trazer essas mulheres para a cena. A lei possibilitou que ela fosse de encontro ás histórias as quais ela buscava. “ Sem esse apoio, sem esse projeto eu não estaria realizando essa exposição que tem tanta importância. ”, frisou.

“Um dos pontos muito importantes desse incentivo do estado é poder trabalhar com profissionais que tem um nome e muita qualidade no trabalho. Sem um investimento desses não seria possível pagar esses profissionais para executar projetos. ”

A exposição contará com uma mesa redonda cuja intenção é ter um papel educativo. A solenidade será composta pela pesquisadora e historiadora Teresa Almeida Cruz e a seringueira Lurdes de oitenta e cinco anos.  Assim como outras exposições realizadas pela artista ela espera que as pessoas se sintam afetadas e parte da exposição.  O evento está previsto para o dia 4 de fevereiro e a vernissage ocorre as 9 da manhã no Museu da Borracha.

 

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