Memorial dos Autonomistas recebe exposição que traz reflexões acerca do cenário amazônico

“O mundo é um grande palco e a gente é ator transitando nele”

Traduzir o cotidiano amazônico que existe além dos rios e das florestas é sempre um desafio. Entretanto, o artista plástico Ueliton Santana conseguiu retratar isso através de suas obras. A exposição “reflexões amazônicas” está disponível no Memorial das Autonomistas em formato de quadros e instalações artísticas.

Para o pintor, a exposição é uma doação dele para a sociedade acreana, e ressalta a relevância da oportunidade obtida através da lei de incentivo.

“A lei Aldir Blanc veio num momento ímpar, me dando a oportunidade de, por exemplo, ministrar um curso de aquarela, que reuniu mais de cem pessoas”, explica.

Muitas das obras são inéditas, enquanto outras já foram expostas em países como a África, França, Inglaterra, Noruega, entre outros.  Foto: Hannah Lydia/FEM

A ideia de montar a exposição começou durante a pandemia quando ele aproveitou seu período em isolamento social para pingar tinta sobre o papel e expressar algumas de suas observações em âmbito regional.

A exposição tem a curadoria da Rosilene Nobre, e é um compilado de obras de diferentes momentos e técnicas. A mostra artística conta com algumas redes, quadros e aquarelas que são compostas por materiais naturais, tais como: pigmentos com terra, urucum, jenipapo, etc.

Muitas das obras são inéditas, enquanto outras já foram expostas em países como a África, França, Inglaterra, Noruega, entre outros. Sua trajetória na arte tem um marco internacional que se espalha por toda a Europa, e isso se deve principalmente ao seu doutorado em Arte Contemporânea na Universidade de Coimbra, para o qual foi aprovado com distinção e louvor, sendo o primeiro da turma.

Ainda que ele tenha exposto em diversos países europeus, expor no estado onde nasceu tem um significado diferente para o artista.

“Sinto que a minha missão é devolver para o estado, para a Amazônia e para o mundo o que eu trago comigo”, disse.

Apesar de sua notoriedade na área, o artista se considera “um garoto simples” por ter saído das zonas rurais para expressar nas telas um pouco do que acredita. Sua história perpassa por vários continentes e partes do mundo que possuem culturas distintas, mas a que ele expressa através das cerdas do pincel é a acreana. Para ele, a formação no exterior pode levar esperança para muitas pessoas, principalmente aos jovens que vêm da mesma condição social.

“O mundo é um grande palco e a gente é ator transitando nele”,  afirma.

O artista espera aproximar a arte das pessoas trazendo a Amazônia de forma artística até elas. Foto: Hannah Lydia/FEM

A exposição “reflexões amazônicas” acaba convergindo também com o seu livro, fruto da sua tese de doutorado, que fala sobre identidades, fronteira e deslocamento, e também é financiado pela Lei Aldir Blanc. O livro parte de percepções amazônicas acreanas que ele traz consigo.

Para Ueliton, falar sobre o estado na Europa causou “espanto”, mas, ao mesmo tempo, provou através de seu trabalho que o Acre existe. Ele não se prende a técnicas e sempre busca expandir seu objeto de pesquisa e identidade “A arte contemporânea vai além de quadros, ela envolve telas, relações, percepções e reflexões”.

O artista espera aproximar a arte das pessoas trazendo a Amazônia de forma artística até elas.

O horário de visitação da exposição é das 8h às 12h e das 14h às 19h, com data prevista para encerrar no dia 30 de julho.

Gostou? Compartilhe.

Share on facebook
Share on twitter
Share on telegram
Share on whatsapp