Nasce uma estrela: Conheça Ágata Power

 Trajetória da drag queen ganha espaço no cinema acreano

Sua primeira aparição pública foi em 2017, no show da cantora Pabllo Vittar, mas essa história nasceu muito antes. Há seis anos atrás comprou sua primeira peruca e deu seus primeiros passos. Preliminarmente, se montando apenas para si próprio dentro do quarto, depois se apresentando em aplicativos e saindo de casa para se mostrar para o mundo.

Nas pálpebras dos olhos sempre carrega cor e brilho, nas mãos e nas roupas assessórios únicos e na boca um sorriso carismático. Esta é ágata Power. Já deu pra perceber que não é à toa que ela foi parar diante das câmeras não é mesmo? Ágata é a persona Drag a qual o ator Igor Martins interpreta a mais de meia década. A história apesar de parecer curta já marcou e ainda marca o território acreano.

 Ágata é muito mais que arte, é um símbolo de luta para a toda a comunidade LGBTQUIA+ que busca respeito no meio artístico. As Drag Queens de que falamos hoje começaram a surgir especialmente nos EUA (Estados Unidos) nos anos 1950 e 1960. “Drag Queen” é um termo inglês usado para se referir à um personagem feminino interpretado, na grande parte das vezes, por um homem. Em outras palavras, são personagens criadas por artistas performáticos que se transvestem, com o intuito geralmente profissional artístico.

Desde a infância Igor acompanhava a carreira de drags famosas como Silvete Montilla, Tália Bombinha e várias outras. Isso o inspirou a transformar os desejos que carregava consigo em arte.  

Ser transformista é uma válvula de escape para jovem ator além, de considerar que a arte de ser uma drag queen é um instrumento de mudança social, militância e ativismo.

“Eu posso ser um megafone, eu posso ser uma pessoa que projeta discussões para outra pessoa falar.” Destaca.

Ágata possui vários adjetivos, mas em especial força e acolhimento. Sensualidade, autoridade e altivez vêm de duas grandes mulheres que inspiraram o artista nesta caminhada como transformista. Com sua mãe aprendeu o que é força, com sua irmã autenticidade. Em seu processo artístico Igor aprendeu muitas coisas com Ágata como por exemplo, a autoconfiança de ser quem é.

Ser drag em um país como o Brasil não é algo fácil pois a temática é invisibilizada e ainda não é normalizada. O artista ressalta que há pessoas em nosso estado que não sabem o que é uma drag queen e quando se tratada de expor o trabalho fora do lugar onde nasceu há ainda mais preconceito.

“As pessoas acham que na Amazônia só tem índio, floresta, mas a gente está aqui para mostrar que pessoas LGTQUIA+ existem.”  afirma

Toda a história e representatividade de ágata inspirou o cinema acreano, o filme “Ágata Power” será dirigido por Sergio de carvalho e a equipe foi escolhida de maneira criteriosa sendo composta em sua maioria por mulheres e por pessoas da comunidade LGBTQIA+. Trazer a temática drag esclarece muitos pontos um deles é que não só pessoas da comunidade lbgtquia+ são transformistas. Através do filme a equipe pretende mostrar o quanto a arte drag tem poder.

Luck Aragão é produtor executivo do filme e consegue entender e perceber a importância da produção artística cultural em solo acreano. Assim como Igor, desde a infância está inserido no circuito junino, “Conheci o mundo por trás dos bastidores e me apaixonei”. A paixão aumentou ainda mais quando ele fez um curso de produção cultural ofertado pela usina de arte João Donato. Os anos passaram e ele conheceu o cinema através da produtora saci filmes a qual trabalha até hoje.

 Em 2016 Luck conheceu Igor e afirma que ágata é a principal responsável pela mudança na vida do ator. Por isso, há uma grande luta em não inviabilizar o poder que arte drag tem e pode trazer para as pessoas.

Em entrevista o produtor ressaltou que nos anos 90 a cidade rio branquense possuía uma comunidade drag muito maior que a de hoje e que isso diminuiu pelo aumento do preconceito e da homofobia. O filme propõe uma reflexão a respeito da escassez da representatividade artística, ter essa representatividade na visão de Luck fortalece, humaniza e naturaliza a expressão.

 “O diferencial da arte drag e das outras artes é que as pessoas confundem a arte com a sexualidade, sendo que são coisas distintas.” explica.

 A partir do filme Luck espera que ágata possa transformar a vida de outras pessoas, assim como transformou a de Igor e a arte não sofra nenhum tipo de preconceito. “Quero fazer esse recorte dentro do filme pela necessidade de as pessoas entenderem que arte é arte.” Afirma.

A lei Aldir Blanc foi uma conquista dos movimentos culturais do Acre e de todo país, Graças a ela projetos de grande falar social estarão movimentando nossa cultura. Há planos para que a produção atravesse a fronteira nacional e internacional e caia nos braços de outras “Ágatas” que ainda precisam ser descobertas. Como a própria Ágata diria, “Estamos plantando sementes para que lá na frente outras pessoas sejam revestidas de “poder.”

E aí gostou? Se você quiser acompanhar os bastidores dessa produção siga o Instagram @agatapower.filme

Gostou? Compartilhe.

Share on facebook
Share on twitter
Share on telegram
Share on whatsapp