Peça de teatro revive a cultura acreana

O que você sabe sobre a sua história? Sua família migrou do Nordeste? Seus avós atuaram como seringueiros? Essas perguntas foram trabalhadas de maneira artística pelo grupo de teatro Candeeiro.

A peça “Afluentes Acreanas” contou com 12 apresentações distribuídas entre sábados e domingos no Memorial dos Autonomistas. A peça foi escrita por Maria Jaqueline que é recém-formada em Artes Cênicas pela Universidade Federal do Acre (UFAC).  A multiartista atua e dirige o espetáculo.

Arquivo pessoal: Teatro Candeeiro

A ideia da peça surgiu a partir de uma pergunta que ela fez a si mesma sobre quem ela era, suas origens indígenas etc.

A peça trouxe a história de mulheres que sofreram com violências diversas no estado, por exemplo, a história de Angelina. O livro Melo do Pote de Marcus Vinicius é uma das fontes de pesquisa do grupo. Ela conversou com familiares e muitas histórias e construções sociais que ela ouviu e percebeu em sua ancestralidade foram colocadas na peça.

A construção da peça é definida com “um espetáculo íntimo” por ser sobre o reconhecimento dos atores, sobre a consciência da própria história e trajetória. O grupo buscou de maneira coletiva trazer esse “pertencimento acreano” explorando a própria historicidade familiar.

Arquivo pessoal: Teatro Candeeiro

Desde o início havia uma preocupação por parte da diretora de como os atores e o público iriam receber as informações sobre a cultura acreana. Fatos e personagens do passado da cidade se misturam com problemáticas atuais. Uma das abordagens faz uma crítica a xenofobia e ao apagamento do estado em contexto regional e nacional.

A preocupação na montagem era de valorizar o estado, “essa peça só faz quem é acreano”, todo o figurino, artes etc. foram feitas por acreanos. Isso foi colocado desta forma para chamar a atenção da população.

“Se a gente não recepciona e não fala bem desse lugar não tem motivo para quaisquer outras pessoas acharem aqui bom.”, disse a diretora.

A peça foi apresentada em uma mostra de São Paulo e segundo a atriz, a cultura do estado cativou os paulistanos. Há muito achismo e folclorização sobre o estado.

“Florestas perpetuam e o nosso fim, enfim chegou.”. Esta frase é ditada ao final da peça e fala sobre entender, defender e respeitar o nosso lugar, mesmo que as histórias nem sempre sejam boas, mas devemos preservar aquilo que ficará, a natureza.

Arquivo pessoal: Teatro Candeeiro

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