Poeta acreana lança 2ª edição de seu livro através de edital da FEM

A escritora Francys Mary também conhecida como “bruxinha” foi aprovada com pontuação máxima no edital de Arte e Patrimônio com o livro “A noite em que a lua caiu no açude”. Em entrevista ela disse que a lei Aldir Blanc possibilitou que ela se empodera-se como artista já que suas publicações sempre foram feitas com recursos próprios. “Acho justo que os artistas sejam valorizados desta forma.” Afirmou a poeta.

Seu livro “A noite em que a lua caiu no açude” está em sua segunda edição e vem acompanhado de poesias e prosas poéticas. O nome da obra origina-se de um conto presente nela e sua primeira edição ocorreu no ano de 1998. Antes da primeira edição do livro ela já era autora de duas produções “gota a gota” e “Aquiry: um grito no meio da mata”, entretanto, por serem impressos em formato de mimeógrafo não tinham a qualidade que ela desejava. Sua obra atual resgata composições referentes a suas duas produções anteriores, além de também contar com outras poesias. Mesmo com uma estrada longa na literatura a poeta considera que este será seu primeiro livro de “verdade”.

Francis conheceu o ativista ambiental Chicos Mendes e em muitas de suas poesias ela buscou registrar a luta que o lendário seringueiro travava pela floresta. A escritora revela que chico ainda chegou a comprar um “livreto” dela.

Sobre seu processo de escrita ela relata que escreve o que sente e depois vai trabalhando aos poucos. Suas poesias voltam-se bastante a esse “mundo verde” pois é nele que ela encontra sua identidade amazônica. As histórias que ela ouviu no decorrer de sua infância e o cotidiano até chegam a fasciná-la, mas sua principal fonte de inspiração é a floresta.
Durante a entrevista a poeta relembrou um fato importante de sua trajetória como escritora e artista. Na década de sessenta as mulheres não andavam de moto e ela foi uma das primeiras a encarar os estigmas entorno disso. Quando as periferias ainda estavam se formando as pessoas ameaçavam apedreja-la e algumas ainda chegavam a fazer isso “A cidade era muito machista” frisa a escritora.

Por sorte ela sempre dividia a garupa de sua moto com um amigo ao qual ela define como seu “garupeiro predileto”. O garupeiro nada mais é do o ator, diretor, dançarino, cantor e compositor Maués Melo que era conhecido por pinicar a consciência de quem atravessasse seu caminho. O artista é o responsável pelo apelido da escritora. Em noites de lua cheia os dois saiam de moto e iam até os bares da cidade recitar poesias. De modo metafórico Melo ressignificava o sentido das coisas, ele costumava dizer a ela que suas poesias eram como “poças mágicas” e que sua moto era uma “vassoura”. A partir disso ele passou a apelida-la amigavelmente de “bruxinha”. A nomeação foi tão forte que ela é conhecida popularmente assim até hoje.

A autora está ansiosa com a possibilidade de poder apresentar sua escrita há um novo público “muita gente me conhece e conhece o meu trabalho, mas essa geração mais nova não conhece meus poemas mais antigos” explica a escritora.

Anota aí, o lançamento do livro “a noite em que a lua caiu no açude” está previsto para o dia 20 de abril.

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