Produtora aborda em suas produções audiovisuais a culinária indígena e discussões sociais

O que um nome representa na história de uma pessoa? O que a comida pode nos revelar além do sabor? Estas perguntas guiaram a produtora Rose Farias, ela teve dois projetos aprovados através do edital audiovisual. Sua primeira iniciativa trata-se de uma série documental sobre a cozinha indígena e a descolonização alimentar, e a segunda é um curta chamado “ O nome”.

Rose é jornalista e possui uma trajetória de 20 anos no audiovisual, atuando na produção de festivais, mostras e produtos cinematográficos. Durante esses anos de atuação ela conta que, o movimento audiovisual lutou muito por editais como esse para que conseguisse fomentar um mercado para a área na região. Sobre a realização de seus projetos ela citou a importância da Lei Aldir Blanc e considera que a lei é um marco para o país, e que o município e o estado a abraçaram.

“ A fundação Elias Mansuor escutou, dialogou e claro, achou pertinente executar. ” Destaca.

A série documental “Do tempo de colher é o tempo de comer” contém 5 episódios e será protagonizada por mulheres indígenas. Cada episódio contém 26 minutos. Trata-se de um projeto de desenvolvimento em que sua abordagem se volta para a cozinha indígena e a descolonização alimentar. A produção pretende apresentar o preparo dos pratos, apresenta o conhecimento da cultura indígena e do alimentar do povo em toda a sua diversidade.

 O projeto envolverá a culinária de dois povos originários acreanos, Ashaninka e Huni kuin. Quem conta essas histórias culinárias (tiraria) são as mulheres, reconhecidas como “ as donas da sabedoria”. A série além disso, contará com o envolvimento das mulheres indígenas (Ashaninka e Huni kuin) no processo artístico, na pesquisa, na criação de roteiro, script e sinopse.

O segundo projeto é um curta metragem de 15 minutos chamado “ O nome” as filmagens propõem de maneira contemplativa que um nome é mais do que uma junção de letras e sílabas, e que um nome pode significar uma sentença de vida.

“ Para algumas pessoas o nome pode não ter um peso, mas para outras é até motivo de sofrimento.” Explica a produtora.

 O curta orbita em uma linha tênue entre a importância e o respeito da identidade social, principalmente para pessoas trans e travestis. A produtora também quis abordar pessoas que trazem em sua certidão nomes aos quais não se identificam, que já tiveram vergonha ou sofreram bullying. A produção vai expor a luta dessas pessoas com próprio nome, alertando a importância de ter um olhar diferente sobre o nome, para que as pessoas sejam respeitadas independentemente disso.

Rose conta com uma equipe de 15 pessoas, a equipe é genuinamente acreana e em sua maioria são mulheres, por escolha dela. No momento ela dedica-se a planejar e continuar com seus processos criativos, e trabalha na construção de um portfólio para que possa comercializar o resultado dessas filmagens. A produtora fala ansiosamente que espera que este não seja o primeiro e último edital, e que a existência desses editais contribui na geração de renda e intensifica a cadeia produtiva da cultura em nosso estado.

Crédito foto Cesta: Rose Farias – foto alimentos: Ricardo D’Angelo.

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