Cultura

Festival de Cinema Pachamama tem 11ª edição lançada neste sábado

A fim de promover o cinema de toda a região amazônica, o Festival de Cinema Pachamama inicia sua programação neste sábado, 15. A cerimônia de abertura ocorre a partir das 18h (horário do Acre) por meio do site do evento. O festival reúne filmes, documentários, mostras temáticas, mesas de debate e uma oficina de produção.

As mostras apresentadas se dividem em: Competitiva de Longas Latinos; Cinema é Política; Mostra Amazônia, Mostra Originários, Mostra Escola de Cinema da Amazônia e Mostra Geraldo Sarno.

O diretor do festival, Sérgio de Carvalho, conta que esses últimos anos foram muito difíceis por conta da pandemia mas que, graças à Lei Aldir Blanc, o Pachamama resiste em formato virtual, coerente com o momento vivido, e já está sendo um sucesso.

“A gente lançou a programação com mais de 50 filmes latino-americanos, com muitas estreias no Brasil. A nossa oficina teve mais de 150 pessoas inscritas. Então, pela primeira vez, o festival Pachamama vai acontecer de forma virtual e chegar no Brasil todo. Esse festival é uma janela para o cinema amazônico e latino-americano”, relata.

Realizado pela Saci Filmes e Yaneramai Filmes, a 11ª edição do Pachamama foi financiada pelo edital nº 007/2020 – Produção e Eventos Consolidados da Lei Aldir Blanc, através da Fundação de Cultura Elias Mansour.

Academia Juvenil Acreana de Letras (AJAL) divulga os finalista do concurso Juvenal Antunes de poesia

Nesta quarta-feira (12) de maio a Comissão Organizadora do Concurso Juvenal Antunes de Poesia ( parte integrante do Festival Literário de Jovens Escritores) divulgou os nomes dos 9 autores finalistas e das 14 Menções Honrosas contempladas pelo concurso.

O projeto foi financiado pela Fundação de Cultura e Comunicação Elias Mansour (FEM), através do incentivo da Lei Aldir Blanc e tem o apoio da Academia Juvenil Acreana de Letras (AJAL). Ao todo, a iniciativa recebeu 223 inscrições e contou com a participação de 15 municípios do Estado do Acre. O concurso contou com duas categorias, Infanto-juvenil e Adulta, no intuito de contemplar escritores iniciantes e de carreira.

Os resultados foram anunciados em uma transmissão ao vivo no Instagram da instituição e contou a participação de vários jovens escritores membros da instituição, que fazem parte da organização. Com cerca de 80 pessoas assistindo simultaneamente e mais de 260 no total, e os organizadores destacaram a importância de iniciativas de fomento à produção literária em todo o estado do Acre. Na manhã do dia (13) a academia publicou o resultado por escrito em suas redes sociais.

A jovem escritora proponente do projeto, Rayssa Castelo Branco, comentou sobre os resultados do concurso e seu entusiasmo com o resultado.

Os autores finalistas receberão premiações em dinheiro, troféus e certificados, assim como os contemplados com Menções Honrosas. Além disso, também integrarão a coletânea do concurso que será publicada em formato e-book quando o projeto for finalizado. A colocação dos finalistas ainda é um mistério e será revelada apenas na cerimônia de premiação que ocorrerá na semana do Festival Literário de Jovens Escritores que até o momento permanece sem data definida.

“Como organizadora deste projeto, é uma imensa honra vislumbrar frutos tão significativos como os que obtivemos. Alcançar 15 municípios do estado do Acre, entre jovens e adultos, representa como a população do interior merece ser lembrada e despertada para mais iniciativas culturais e artísticas. É fundamental ensejar o crescimento de ações que motivem a produção da literatura na população acreana. Nós temos uma infinidade de escritores em nossas terras a serem descobertos, e estes precisam ser valorizados. Destaco, ainda, que recebemos um número considerável de poemas versando sobre a cultura, história e vivência no Acre, na Amazônia, o que demonstra a força que o imaginário da floresta que nos cerca exerce sob nossas vidas, impulsionando a arte, a poesia e a palavra que nos move. ” Destaca.

Para mais informações sobre a Academia de Letras Juvenil (AJAL) acesse a pagina do Instagram:

Abaixo os nomes dos finalistas do concurso Juvenal Antunes de acordo com a categoria:

Professor se inspira na natureza para levar mensagens de “paz” através da música

 Encantos dos rios, sereias, botos, mistérios das florestas e do Céu. Flavio da Conceição utilizou destes elementos da natureza para compor o espetáculo “Menino beija-flor”. O projeto foi aprovado no edital de culturas tradicionais do Acre pois, suas composições musicais são inspiradas nas tradições Ayahuasqueiras e Daimistas que para o artista, são elementos importantes para a cultura acreana.

Flávio sempre quis tornar o assunto mais acessível e a lei Aldir Blanc possibilitou a expansão de suas ideias.

Acervo pessoal: Flávio Conceição, espiritualidade.
Acervo pessoal: Flávio Conceição, espiritualidade.

“Quando veio a oportunidade do edital da FEM pela Lei Aldir Blanc eu vi a possibilidade de concretizar esse desejo de fazer esse CD com essas músicas, Mas como eu sou também da área do teatro, resolvi fazer um espetáculo, contando histórias sobre mitos indígenas, sobre a relação do ser humano com a natureza. ” Explica.

Além de cantor, Flávio é professor do curso de teatro da UFAC (Universidade Federal do Estado do Acre). Há mais de 20 anos trabalha com a metodologia do “Teatro do Oprimido”, dando cursos e fazendo apresentações no Brasil e no exterior. Atualmente, coordena o GESTO da Floresta – Grupo de Estudos em Teatro do Oprimido da Floresta, que é um Programa de Extensão da UFAC.

Em 2017 lançou seu primeiro EP “Sonhos de um Mundo Maravilhoso” e a partir daí descobriu que sua inspiração musical é oferecer momentos de paz, amor e reflexão. A partir de um olhar atencioso o artista sentiu a necessidade de reformular a maneira como a música e o teatro vem buscando retratar a sensibilidade, história e o pensamento juvenil. Seu desejo era fazer um novo CD com músicas mais devocionais e espirituais, porém por outro lado, queria que as músicas atingissem público infantil e estimulasse os adultos a descobrir suas “crianças interiores”.

 “Precisamos cuidar dessa casa e cuidar também do ser humano, pois somos todos irmãos. Eu quis usar o teatro, a contação de histórias e a música para passar essa mensagem de amor ao próximo, de cuidado com essa casa comum que é o planeta Terra, buscando uma conexão interior do ser humano. ” Diz.

Aos poucos o artista foi percebendo que esse era o seu nicho musical, fazer músicas de rezo que passem uma mensagem de esperança que seja uma inspiração para que através disso as pessoas possam contemplar a natureza. Em entrevista, ele ressaltou que isso advém de suas experiências espirituais, “ Eu sou Fardado na doutrina da Barquinha da Madrinha Chica Gabriel e lá a gente aprende que o ser humano faz parte de uma casa maior que é o planeta Terra. ”

Acervo pessoal: Flávio Conceição, espiritualidade.

O projeto conta com vários produtos, o Primeiro é o lançamento de um Podcast com as histórias da peça, depois apresentações ao vivo (online) com as histórias e as músicas. Devido a pandemia da COVID-19 a data de lançamento do CD teve que ser reformulada e a previsão para o lançamento está previsto para agosto deste ano. O conteúdo ficará disponível nas seguintes: Plataformas digitais Youtube, Spotify, Deezer, Apple música, e outras. Os podcasts já estão disponíveis no Spotify e Youtube (O vídeo do espetáculo só no Youtube).

Para saber mais e acompanhar o projeto viste o canal no Youtube ” Flávio da Conceição Oficial“.

EXPOSIÇÃO VIRTUAL ABORDA TEMÁTICA DE MULHERES NA AMAZÔNIA

Já pensou em ir em uma exposição de arte sem sair de casa? Nesta quinta-feira, 6, estreia a videoinstalação “Seringueira” que estará disponível no site galeriapapoula.com no instagram da Fundação de Cultura Elias Mansour (FEM). A responsável pela exposição é a artista plástica e comunicadora Roberta Marisa, que se baseou e inspirou na história de mulheres que residem no bairro Sibéria em Xapuri, no interior do Acre, e em Rondônia, nas reservas ao redor do rio Calcário e Costa Marques (divisa com a Bolívia).


O projeto foi aprovado no edital de Arte e Patrimônio da Lei Aldir Blanc no Estado. A exposição foi gravada no Museu da Borracha e dividida em 3 episódios.  As obras nasceram das digitais e da narrativa de mulheres que por anos tiveram suas histórias silenciadas, e utiliza o garatujo, uma pintura “infantil”. Na perspectiva da artista “é nossa primeira expressão” e esse momento simbólico traz um pouco da pureza pois a maioria dessas mulheres é analfabeta, o que torna esse registro ainda mais significativo. Roberta complementa “Não é um trabalho que eu falo, é um trabalho que elas contam. É um trabalho humano e real.”

A pesquisa da artista girou em torno da busca pelas histórias e memórias que ainda estão vivas, além de mostrar a mulher amazônica como a principal protagonista do desenvolvimento amazônico que sempre foi contado a partir de perspectivas masculinas.

ARTISTAS ACREANOS: ENILSON AMORIM

Um sorriso valoroso no olhar, carregando impressões de capa cor de violeta. Foi assim que o escritor Enilson Amorim, 46 anos, adentrou a sede da Fundação Elias Mansour: segurando orgulhosamente as impressões finalizadas do livro “Clarinha e o Boto”. Na véspera do Dia da Literatura, comemorado em 1º de maio, Enilson senta-se para conversar sobre a trajetória dele como artista e escritor.

Com orgulho, ele relata que é filho de seringueiros e nascido no bairro Taquari, na capital do Acre. “Um homem que nega seu passado nega também seu presente”, cita o artista. Enilson iniciou a vida nas artes através de desenhos aos 8 anos de idade fazendo retratos, antes de se tornar escritor. Aos 12 anos, ele já era retratista em bares locais e vendia refrescos nas ruas de Rio Branco para comprar seu material escolar. 

Apaixonado por histórias em quadrinhos, criou sua HQ intitulada “Turminha Infantil”, tendo como personagens um grupo de amigos da infância que moravam no bairro. Lá, Enilson começou a criar suas primeiras histórias e criar roteiros. Elias, amigo do artista, deu a ideia de tirar fotocópias das historinhas para que o escritor pudesse vendê-las. E a ideia deu certo. 

Com o tempo e trabalho, foi descoberto pelo jornal O Rio Branco, através de uma seleção de um grupo de chargistas para trabalhar por lá, em 1994. Os jornalistas da redação viam os desenhos de Amorim e deram a dica: que ele deveria escrever para crianças. Quando trabalhou no jornal A Tribuna, Enilson trabalhou com o autor Hélio Melo. Através desse contato, lançou seu primeiro conto: Mapinguari, a Lenda. 

Apesar de ter dificuldades, teve seu livro lançado pelo Sesc Acre. E o trabalho foi um sucesso! A repercussão chegou até jornais em Manaus, no Pará, no Tocantins e em vários estados do país. E Enilson nunca mais parou.

Contemplado pela Lei Aldir Blanc no Acre, através do edital nº 002/2020 de Arte e Patrimônio, o livro “Clarinha e o Boto” foi relançado e conta a história de um pescador chamado José, cuja filha foi raptada por um boto. Tem como lição ensinar às crianças as implicações da pesca predatória para o equilíbrio do ecossistema.

A FEM parabeniza todos os escritores e escritoras do Estado do Acre, e deseja que cada vez mais a imaginação flua nas pontas dos dedos e das canetas desses artistas.