Especial

FEM: Equipe do Governo descobre sítio arqueológico em Rodrigues Alves

Por DPHC

Uma grande descoberta foi realizada pela equipe multidisciplinar do Governo do Acre, da Divisão de Patrimônio Histórico e Cultural do Acre da Fundação de Cultura Elias Mansour (DPHC/FEM), que está desenvolvendo o Projeto de Articulação Institucional para o Reconhecimento, Fortalecimento e Valorização do Patrimônio Histórico e Cultural do Acre.

A equipe esteve no último final de semana em Rodrigues Alves, onde capacitou os gestores do município. 

Durante a visita de campo à comunidade Nova Cintra, local onde está registrado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) como sítio arqueológico, a arqueóloga Jane Pessôa Coêlho explicou que será necessário adotar medidas de proteção do local.

“O que posso recomendar aqui no sítio arqueológico de Nova Cintra, são medidas de proteção que possam prevenir possíveis danos, uma vez que ramais amazônicos, por sua natureza, necessitam de sucessivos reparos”, relata Jane.

A descoberta do sítio arqueológico

Em conversa com os gestores municipais, a arqueóloga Jane Coêlho recebeu a informação da existência de urnas às margens do rio Juruá em Rodrigues Alves, no perímetro urbano da cidade.

Por não constar nenhum tipo de estudo ou reconhecimento do sítio arqueológico, a arqueóloga e toda a equipe, juntamente com os gestores municipais, foram ao local onde encontrava-se os artefatos de uma possível existência de ocupação de sociedades antigas na região. 

Para a surpresa de todos, realmente se tratava de artefatos arqueológicos da cultura indígena da região. A arqueóloga enfatiza a importância da Educação Patrimonial no processo de reconhecimento da diversidade cultural.

“O achado de um sítio arqueológico na zona urbana do município de Rodrigues Alves, deve-se a capacitação com os gestores municipais, onde foi possível a compreensão que esses remanescentes culturais, que até o dia de hoje estiveram anônimos em meio ao cotidiano da vila de pescadores, ganham status de patrimônio cultural”, comenta a arqueóloga.

Com a descoberta o próximo passo será a recomendação do estudo do sítio para seu registro no banco de dados do IPHAN.

“O que nos interessa agora é sua inscrição no banco de dados do IPHAN, e aguardar ações de proteção do mesmo”, revela Jane.

O que é um sítio arqueológico?

Sítios arqueológicos são locais onde se encontram vestígios de atividade humana, tais como: pinturas rupestres, construções antigas, artefatos, entre outros.

 

                      

Teatro dos Náuas é palco do projeto Abraço Cultural em Cruzeiro do Sul

Por DARTES

A segunda cidade do interior acreano a receber o projeto “Abraço Cultural”, nesta nova edição, foi Cruzeiro do Sul. A ação é realizada pelo Governo do Acre por meio da Fundação de Cultura Elias Mansour (FEM).

O evento aconteceu ontem, 19, e reuniu mais de 50 artistas divididos entre atores, dançarinos, cantores e músicos.

O evento recebeu as apresentações do grupo de dança Nativu’s Triplo X, Cia Explosão, Show de Ritmos, apresentação teatral com o grupo Mocidade Nova Geração, a apresentação musical dos cantores Frank Lopes, Jackson e Zequinha, este acompanhado do grupo Os Populares do Guarani. Ainda no evento, aconteceu a apresentação do grupo Jabuti Bumba que é reconhecido e premiado nacional e internacionalmente pelas suas performances em defesa da natureza e da cultura popular amazônica.

O músico Frank Lopes falou sobre a importância do evento durante a sua apresentação.

“Estamos todos felizes com essa oportunidade de apresentar novamente o nosso trabalho para o público de Cruzeiro do sul e principalmente aqui no teatro dos Náuas. Estamos voltando a cantar e tocar para a alegria de todos e desejamos vida longa a esse projeto tão importante para a cultura do Acre”, explicou o artista.

Além das manifestações culturais, o Abraço Cultural também está movimentando a economia criativa por onde passa. Raimundo Nonato, que vende pipoca na porta de entrada do teatro dos Náuas, falou sobre a importância do evento.

“Passamos por dias difíceis e graças a Deus os eventos estão voltando devagarinho e hoje eu consegui vender o que há muito tempo não vendia. Para muitos pode parecer pouco, mas para mim é o dinheiro de sustento da minha família”, relatou o comerciante.

A programação foi aberta ao público e seguiu todas as recomendações do Ministério da Saúde e orientações do Comitê Pacto Acre sem Covid.

O projeto Abraço Cultural segue no Juruá até o dia 30 de agosto. A próxima cidade a receber a ação é Mâncio Lima no sábado, 21. O evento acontece no Bairro São Francisco, em frente ao mercado Ermecilio Barreto.

O patrimônio histórico-cultural e sua importância para a sociedade

Por: Robson Antônio Rodrigues, Phd em arqueologia brasileira,
Jane Pessôa Coêlho, especialista em arqueologia

Ao começarmos a entender o valor dos bens culturais de um povo temos que ter em mente o que define e fundamenta a vida de uma sociedade quanto às suas características, seus costumes, seus comportamentos, e como esses elementos podem ser registrados e preservados para seus sucessores em formato de memória e identidade histórica, sendo definido como patrimônio social.

O Patrimônio é tudo o que nos é transmitido como uma herança. O Patrimônio Cultural remete à riqueza simbólica e tecnológica desenvolvida pelos grupos humanos que nos antecederam. Trata-se de um conjunto de conhecimentos e realizações de uma comunidade, acumulados ao longo de sua história, que conferem os traços de sua identidade.

De acordo com a constituição federal, os patrimônios são os modos de expressão, formas de criar, criações científicas e tecnológicas, obras, objetos, documentos, edificações e demais espaços destinados às manifestações artísticas ou culturais, além de conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico, ecológico e científico (CONSTITUIÇÃO FEDERAL DO BRASIL, 1988).

Aliado ao conceito de patrimônio histórico está o de patrimônio cultural. Segundo o artigo 216.º da Constituição, o patrimônio cultural representa os bens: “(…) de natureza material e imaterial, tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação, à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira”.

Segundo o Decreto Lei n.º 25 de 1937, Art. 1.º, “Constitui o patrimônio histórico e artístico nacional o conjunto dos bens móveis e imóveis existentes no país e cuja conservação seja de interesse público, quer por sua vinculação a fatos memoráveis da história do Brasil, quer por seu excepcional valor arqueológico ou etnográfico, bibliográfico ou artístico.”.

A importância de se preservar o Patrimônio Histórico está associada à constituição de uma memória coletiva, considerando que é por meio da memória que nos orientamos para compreender o passado, o comportamento de um determinado grupo social, uma cidade ou mesmo uma nação. O estímulo da memória também contribui para a formação de identidade, retomada de raízes, e a compreensão a respeito da situação sociocultural de um povo.

Sabemos que a História é uma construção social, por isso a consciência da história e a memória são parte dessa construção, pois permite fixar informações ao longo do tempo e dá identidade ao ser humano. Nesse aspecto, a memória permite um envolvimento que estimula o sentimento e alimenta a necessidade do ser humano saber sobre si, sobre seu passado, sobre seu presente, sobre suas conquistas. Por isso a memória pode ser definida como um combustível da história humana.

Patrimônio: é tudo aquilo que nos pertence, “nossas coisas”, tudo que pertence a um indivíduo, a uma instituição, a um lugar, uma região ou uma comunidade. O patrimônio pode ser tanto material como imaterial. Material é tudo aquilo que é tangível, mensurável, palpável. O Imaterial é composto pelas nossas crenças, valores, costumes. Desta forma o patrimônio engloba vários segmentos, dentre eles: ambiental e paisagístico, paleontológico, cultural, arqueológico, histórico, artístico, arquitetônico e afetivo (memória).

O termo patrimônio histórico cultural diz respeito a tudo aquilo que é produzido, material ou imaterialmente, pelo ser humano e que definimos como cultura de uma sociedade. De acordo com sua importância, em geral, deve ser preservado por representar uma riqueza cultural para a comunidade e para a humanidade.

O patrimônio é a herança de um povo, que garante a preservação de sua memória e da cultura, conferindo-lhe identidade e alteridade. São bens potencialmente incorporáveis à memória local, regional e nacional, compondo parte da herança cultural legada pelas gerações passadas às gerações futuras. Por isso a valorização do patrimônio histórico cultural é a valorização da identidade que molda as pessoas.

Por meio do patrimônio histórico cultural podemos conhecer a história e tudo que a envolve. Por exemplo, a arte, as tradições, os saberes de determinado povo. Preservar e valorizar os elementos culturais de um povo é manter viva a sua identidade. Trata-se, portanto, de um ato de construção da cidadania.

Segunda etapa do projeto de articulação institucional do patrimônio histórico e cultural terá início na próxima semana

Após o grande sucesso da primeira etapa do projeto de articulação institucional para o reconhecimento, fortalecimento e valorização do patrimônio histórico e cultural do Acre, na regional do Alto Acre, que capacitou mais de 100 gestores nos municípios de Assis Brasil, Brasileia, Epitaciolândia e Xapuri, a equipe da Divisão de Patrimônio Histórico e Cultural da Fundação de Cultura Elias Mansour (DPHC/FEM) dará início à segunda etapa do projeto, agora nas regionais do Juruá e Tarauacá/Envira. Cinco municípios serão contemplados nesta etapa: Cruzeiro do Sul, Rodrigues Alves, Mâncio Lima, Tarauacá e Feijó.

Gestores participando da oficina em Epitaciolândia

Ao todo serão mais de 12 horas de oficinas ministradas aos gestores municipais de diversas pastas das prefeituras que serão atendidas nesta etapa, que iniciará dia 16 de agosto, em Cruzeiro do Sul.

A coordenadora do projeto, Elane Cristine, destacou a continuidade do projeto e reafirmou o objetivo da FEM com a ação. “O projeto da DPHC é de fluxo contínuo até dezembro de 2021. O objetivo é auxiliar no que for possível na colaboração da implementação das leis municipais de patrimônio histórico e cultural em todos os municípios acreanos ainda este ano”, destaca a coordenadora.

Visita de campo em Assis Brasil.

“A segunda etapa conta com a parceria primordial da Secretaria Municipal de Cultura de Cruzeiro do Sul, coordenada pelo gestor Aldemir Maciel que é um grande parceiro da FEM e auxilia bastante os gestores municipais de outras secretarias de cultura. Iremos concretizar a ação em cinco municípios das regionais do Juruá e Tarauacá/Envira, totalizando 09 dos 21 que pretendemos visitar até dezembro”, finaliza ela

Apresentação cultural grupo de dança Jovens que Dançam, em Epitaciolândia.

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Dia da arqueologia: caminhos e desafios da profissão

Por Raquel Frota, Arqueóloga da DPHC (FEM)

Neste dia, 26 de julho, a Fundação de Cultura Elias Mansour (FEM) explica como a arqueologia trabalha no fortalecimento do patrimônio histórico e na preservação da cultura.

Indiana Jones e Lara Croft são dois personagens fictícios que nos vêm à mente quando falamos acerca de arqueologia. Suas aventuras e descobertas mirabolantes nos fazem imaginar que a vida diária de um arqueólogo é cheia de confusão e comprovações mitológicas, descobertas de ouro, diamantes e muitas múmias. No entanto, a realidade dos fatos pode ser um pouco diferente, me permita explicar da forma mais simples e didática que posso.

A arqueologia é uma área de conhecimento que se dedica ao estudo do homem em sociedade e em seus diversos aspectos. O que a distingue enquanto uma ciência autônoma é o seu objeto de estudo e a metodologia específica da qual serve para produzir resultados. Já é possível entender que a realidade de um arqueólogo genuíno é um tanto diferente dos filmes, certo?

Os arqueólogos dedicam-se a estudar os vestígios materiais, e por meio deles tentam decifrar vários outros mistérios. Por exemplo: você, caro leitor, já imaginou o que a disposição da sua casa diz sobre quem você é? Imagine que por algum motivo você viajou mil anos no futuro e viu que a casa na qual viveu a maior parte da sua vida está sendo escavada por uma equipe de arqueólogos. O que a decoração do seu quarto diria sobre o seu gosto musical, suas práticas religiosas e sua forma de vestir? E o que diriam sobre os hábitos alimentares de sua família quando escavarem a cozinha?

Vestígios materiais é tudo que temos de civilizações que não utilizaram a linguagem escrita. Povos originários desenvolveram sociedades que se baseavam quase que exclusivamente na tradição oral, quero dizer, suas leis e normas sociais, bem como sua história, foram passadas de geração em geração por meio de contos e histórias, fábulas e seres folclóricos que compõem toda a sua visão de mundo.

E como fazer para obter informações sobre a forma em que essas sociedades antigas viviam? Não se pode recorrer à uma observação direta, pois os seus membros não existem mais e tampouco deixaram registros escritos de como eram, do que faziam ou do que se alimentavam. Resta-nos estudar a cultura material produzida por estas sociedades. É o que a arqueologia se propõe a fazer.

É através do estudo da cultura material, especificamente dos resíduos materiais (túmulos, cerâmicas, templos, artefatos de caça, pinturas rupestres, etc.), que possibilita estudar civilizações de épocas diferentes, desde aquelas que pertenciam a um passado remoto, até as sociedades contemporâneas em geral.

Sendo assim, é possível compreender esses resíduos materiais como uma espécie de registro cultural, uma “impressão digital” de determinado grupo que ao ser devidamente estudado pode fornecer informações valiosas quanto à sua época, espaço, arte, práticas alimentares, religiosidade, arquitetura etc.

Nesse aspecto, a arqueologia é uma ciência interdisciplinar na medida em que as ciências humanas e físicas se fundem na prática arqueológica. Por hora, basta dizer que é dentro desse âmago que se quer transdisciplinar da arqueologia, que possibilita obter dados sobre o passado através da combinação de diversas especialidades que muitos julgam incompatíveis, tais como: química, arquitetura, biologia, matemática, fotografia, artes gráficas, física nuclear, geomorfologia, entre outras. Dessa forma, o seu objetivo é desvendar (ou seria reconstruir?) o passado da humanidade através da análise de vestígios materiais, utilizando-se de metodologia específica e interdisciplinar e que pode, efetivamente, fornecer informações e parâmetros de estudos elucidativos.

É interessante pensar que em sua busca por elucidar o passado através dos vestígios materiais, arqueólogos lidam não apenas com a cultura material, mas também com a imaterial. Nesse dia do arqueólogo, é com grande prazer que dividimos um pouco do nosso dia-a-dia cheio de aventuras e comprometimento com o patrimônio histórico-cultural do Estado do Acre.

Jornais de Cruzeiro do Sul

Acervo Jornalístico do Juruá, com quase 100 anos de existência, reúne a história de grandes personalidades acrianas. Confira algumas imagens:

 

Memorial dos Autonomistas recebe exposição que traz reflexões acerca do cenário amazônico

“O mundo é um grande palco e a gente é ator transitando nele”

Traduzir o cotidiano amazônico que existe além dos rios e das florestas é sempre um desafio. Entretanto, o artista plástico Ueliton Santana conseguiu retratar isso através de suas obras. A exposição “reflexões amazônicas” está disponível no Memorial das Autonomistas em formato de quadros e instalações artísticas.

Para o pintor, a exposição é uma doação dele para a sociedade acreana, e ressalta a relevância da oportunidade obtida através da lei de incentivo.

“A lei Aldir Blanc veio num momento ímpar, me dando a oportunidade de, por exemplo, ministrar um curso de aquarela, que reuniu mais de cem pessoas”, explica.

Muitas das obras são inéditas, enquanto outras já foram expostas em países como a África, França, Inglaterra, Noruega, entre outros.  Foto: Hannah Lydia/FEM

A ideia de montar a exposição começou durante a pandemia quando ele aproveitou seu período em isolamento social para pingar tinta sobre o papel e expressar algumas de suas observações em âmbito regional.

A exposição tem a curadoria da Rosilene Nobre, e é um compilado de obras de diferentes momentos e técnicas. A mostra artística conta com algumas redes, quadros e aquarelas que são compostas por materiais naturais, tais como: pigmentos com terra, urucum, jenipapo, etc.

Muitas das obras são inéditas, enquanto outras já foram expostas em países como a África, França, Inglaterra, Noruega, entre outros. Sua trajetória na arte tem um marco internacional que se espalha por toda a Europa, e isso se deve principalmente ao seu doutorado em Arte Contemporânea na Universidade de Coimbra, para o qual foi aprovado com distinção e louvor, sendo o primeiro da turma.

Ainda que ele tenha exposto em diversos países europeus, expor no estado onde nasceu tem um significado diferente para o artista.

“Sinto que a minha missão é devolver para o estado, para a Amazônia e para o mundo o que eu trago comigo”, disse.

Apesar de sua notoriedade na área, o artista se considera “um garoto simples” por ter saído das zonas rurais para expressar nas telas um pouco do que acredita. Sua história perpassa por vários continentes e partes do mundo que possuem culturas distintas, mas a que ele expressa através das cerdas do pincel é a acreana. Para ele, a formação no exterior pode levar esperança para muitas pessoas, principalmente aos jovens que vêm da mesma condição social.

“O mundo é um grande palco e a gente é ator transitando nele”,  afirma.

O artista espera aproximar a arte das pessoas trazendo a Amazônia de forma artística até elas. Foto: Hannah Lydia/FEM

A exposição “reflexões amazônicas” acaba convergindo também com o seu livro, fruto da sua tese de doutorado, que fala sobre identidades, fronteira e deslocamento, e também é financiado pela Lei Aldir Blanc. O livro parte de percepções amazônicas acreanas que ele traz consigo.

Para Ueliton, falar sobre o estado na Europa causou “espanto”, mas, ao mesmo tempo, provou através de seu trabalho que o Acre existe. Ele não se prende a técnicas e sempre busca expandir seu objeto de pesquisa e identidade “A arte contemporânea vai além de quadros, ela envolve telas, relações, percepções e reflexões”.

O artista espera aproximar a arte das pessoas trazendo a Amazônia de forma artística até elas.

O horário de visitação da exposição é das 8h às 12h e das 14h às 19h, com data prevista para encerrar no dia 30 de julho.

FEM lança projeto para fortalecer e valorizar o patrimônio histórico e cultural do Acre

Neste mês de julho, a Fundação de Cultura Elias Mansour (FEM), por meio da Divisão de Patrimônio Histórico e Cultural, inicia projeto visando o fortalecimento, reconhecimento e valorização do patrimônio histórico e cultural juntos aos municípios do estado do Acre, à exceção de Rio Branco.

A equipe responsável percorrerá as cinco regionais no período de julho a dezembro deste ano, promovendo o fomento à pesquisa, proteção e preservação do patrimônio histórico e cultural do estado.
Segundo a coordenadora do projeto, a socióloga Elane Cristine, o objetivo é sensibilizar os gestores municipais de cultura quanto a importância do trabalho desenvolvido pelo setor.

“Entre os objetivos estratégicos, está a motivação e mobilização dos gestores municipais de cultura para que esses possam desenvolver em seus municípios uma série de trabalhos de conscientização da sociedade em relação ao patrimônio cultural”, destaca Elane.

O presidente do FEM, Manoel Pedro, o Correinha, reforça o papel da fundação na gestão e desenvolvimento desse trabalho.

“Nós, como instituição, temos a obrigação de fortalecer as identidades do povo acreano e assegurar o acesso aos bens culturais, orientada pela pluralidade de ideias e valores artístico-culturais. E esse projeto vai ao encontro dessa necessidade em nossa cultura local, ainda mais no tocante ao patrimônio histórico, pois o Acre em si pode ser considerado um patrimônio histórico do país, dada a maneira pela qual o estado veio a fazer parte do Brasil”, diz o presidente.

Com início no dia 05 de julho, o projeto terá Assis Brasil como ponto de partida. Os demais municípios que compõem o Alto Acre também serão assistidos nas duas primeiras semanas do mês de julho.

As principais ações:

1. Articulação institucional com os gestores das áreas de: cultura, turismo, educação, desporto, lazer, meio ambiente e obras dos 21 municípios para fortalecimento da implementação da lei municipal de patrimônio histórico e cultural;
2. Capacitação em Educação Patrimonial para os gestores das áreas afins dos 21 municípios;
3. Oficina de Produção de vídeo com celular: narrativas audiovisuais e preservação do Patrimônio Cultural; e
4. Visita técnica aos bens históricos materiais indicados pelos gestores municipais para possível legitimação da preservação do mesmo quanto patrimônio cultural.

Governo prepara projeto de reforma da Tentamen

O governo do Estado do Acre, por meio da Fundação de Cultura Elias Mansour (FEM), prepara projeto de reforma do prédio da Sociedade Recreativa Tentamen, em Rio Branco. Porém, por se tratar de um espaço em processo de tombamento como patrimônio histórico estadual, as obras de reforma são mais demoradas e burocráticas, pois as características originais do imóvel não podem ser alteradas.

Fundada em 1924, a construção está localizada próxima ao Calçadão da Gameleira, ponto turístico da capital acreana. Foi palco de formaturas, jantares e bailes carnavalescos e passou a pertencer à FEM na década de 1980, porém, sem documentação. Após decisão judicial, passou a pertencer oficialmente ao Estado em 2016. Foi tombada provisoriamente como patrimônio histórico em 2020, graças a um decreto do governador Gladson Cameli.

Decreto nº 5.071 de 14 de janeiro de 2020. Fonte: Diário Oficial do Estado/Agência de Notícias

Em 2019, o presidente Manoel Pedro Gomes (“Correinha”) encaminhou um projeto ao Ministério Cidadania e Justiça para captação de recursos, graças a um edital de execução de reformas em prédios de patrimônio histórico.

A chefe da Assessoria de Planejamento da FEM, Anna Abreu, conta que qualquer alteração na Tentamen precisa de autorização do Conselho Estadual de Cultura e do Conselho do Patrimônio do Ministério da Justiça.

“Era para o recurso ter sido liberado ano passado mas, devido à pandemia, o órgão financiador ainda não havia feito o repasse. Então a autorização para iniciar o processo de recebimento do recurso junto à Caixa Econômica só foi dada no final de novembro de 2020”, relata.

Sociedade Recreativa Tentamen. Foto: Edson Brunno

O processo atualmente se encontra em trâmite burocrático, que é o procedimento de liberação das pendências para iniciar a obra. Porém, como se trata de um projeto arquitetônico e de engenharia de 2018, precisou ser reformulado, já que os preços de materiais ficaram mais elevados durante a pandemia. O vandalismo também fez com que novas demandas surgissem na  estrutura do espaço.

“O governo do Estado e a FEM, que é a executora do projeto, estão trabalhando juntos para que a reforma se realize e seja adequada para a comunidade”, observa Anna.  “A nossa expectativa é dar início ao processo de licitação o mais rápido possível e, em seguida, iniciar a obra. ”

Como funciona a reforma?

O processo de intervenção em bens imóveis tombados, de acordo com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) requer uma série de etapas, que devem ser observadas cautelosamente. Todos os espaços tombados devem seguir, no mínimo, os requisitos do Iphan, além das especificidades de cada Estado.

A lista de documentos exigidos está disponível no site do Instituto. Basicamente, o interessado deve encaminhar o anteprojeto da obra, o levantamento de dados sobre o bem, contendo pesquisa histórica, diagnóstico do estado de conservação, memorial descritivo e especificações e planta, com a especificação de materiais existentes e propostos.

48 anos de cinema acreano: Documentário conta a trajetória do cinema no Acre

Grandes personalidades falam sobre a construção e história do segmento cinematográfico no estado

No início dos anos setenta, a bitola de 8 mm era a ferramenta mais aclamada pelos cineastas da época. Logo depois veio o VHS (Video Home System) e por fim, nos anos dois mil, começou a era digital. Se a cronologia desses fatos te interessou, no dia 1º de junho, às 9 horas, ocorre no Theatro Hélio Melo a exibição do documentário “ Um Olhar no Cinema Acreano Nesses 48 Anos – Um Recorte na Sétima Arte” de Adriana Oliveira. O evento conta com o financiamento da lei Aldir Blanc e com o apoio da Fundação de Cultura Elias Mansour (FEM). 

O documentário busca mostrar como foi a construção do cinema acreano desde os anos 70, contando as dificuldades e impedimentos sofridos pelos cineastas na época. Através do projeto, a cineasta destacou a possibilidade de locar equipamentos cinematográficos para o longa-metragem, que tem em torno de 1 hora e 18 minutos ressaltando aspectos históricos e sociais. 

” Um projeto desse porte requer muito suporte e mesmo com todas as dificuldades foi possível ter.” Explica Adriana.

A paixão pelo cinema na vida de Adriana surgiu no ano de 2006, quando atuou como atriz pela primeira vez. A maioria dos filmes que atuou foram dirigidos por Guilherme Francisco, e, a medida em que o tempo foi passando, ela foi buscando fazer cada vez mais trabalhos na área.  

Arquivo pessoal : Adriana Oliveira.

“Na maioria dos filmes que eu fiz eu nunca ganhei nenhum recurso financeiro, foi mesmo por gostar do cinema, gostar da arte. Falar desse cinema nesses 48 anos é fazer uma reflexão sobre o presente, passado e futuro do nosso cinema.”, Disse Adriana.

Vários cineastas foram entrevistados para a composição da obra, dentre eles Guilherme Francisco, Adalberto Queiroz, Nilda Dantas, Da luz, Fátima cordeiro. Na produção há um destaque para “Teixeirinha do Acre”, percursor do cinema acreano, além de outras figuras do universo cinematográfico como Laurêncio Lopes,Tonivan etc…

Para a cineasta, fazer esse documentário é valorizar a nossa cultura, a nossa identidade, e mostrar isso para o público é propagar ainda mais a importância do recorte cinematográfico para a sociedade acreana. Parte do material organizado para a produção é conteúdo inédito e será exibido apenas no lançamento !E aí, se interessou pelo evento?