Mulheres na Cultura

Consciência Negra: artista promove Festival Afro-cultural a partir de 15 de novembro

No mês da Consciência Negra, à beira do Rio Acre, no festeiro bairro da Base, a artista Camila Cabeça promove o Festival Afro-cultural Cabeça de Nêga com programação que celebra a semana da Consciência Negra, de 15 a 20 de novembro de 2021. As temáticas passam pela educação antirracista e patrimonial cultural com foco no Acre.

O Festival foi aprovado pelo Edital de Produção e Eventos Consolidados/Inéditos nº 007/2020 do Governo do Estado do Acre, por meio da Fundação de Cultura Elias Mansour (FEM), com recursos da Lei de Emergência Cultural Aldir Blanc.

Fonte: Assessoria de imprensa FEM/organização do festival Cabeça de Nêga e presidente da FEM, Manoel Pedro

A programação, inspirada nos saberes do povo da Amazônia, inclui: treinamento para comunicadores; palestras; oficinas; rodas de conversa; atendimento jurídico; Feira do Bem Viver; Cortejo de Maracatu; ato pelo Dia da Consciência Negra; apresentação de Marujada; programação musical “A hora do pôr-do-sol de Oyá” e baile musical.

“Cabeça é orí, é o nosso conhecimento, então o Festival foi pensado para Rio Branco, partindo da comunidade do bairro da Base. Faremos um trato sonoro, artístico, com formação, fruição artística, de natureza sensorial, de troca de conhecimentos de forma que fortaleça o elo de todes; tanto de mulheres quanto da sociedade como um todo”, explica, artista e proponente do projeto.

Camila Cabeça

Um destaque na programação será a participação da escritora, arquiteta e urbanista Joice Berth que ministrará a palestra “Decolonialidade e Empoderamento”, no dia 16 de novembro, às 19h. A vinda da escritora ao Acre é fruto da parceria da organização do Festival com o Ministério Público do Estado do Acre (MPAC). Nascida e criada em São Paulo, formou-se em Arquitetura pela Uninove em 2010, tendo posteriormente feito pós-graduação em Direito Urbanístico pela PUC-MG.[2] Tem como campo de pesquisa o direito à cidade, com recorte de gênero e raça

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Fonte: Profissionais SA, escritora e arquiteta Joice Berth.

O atendimento jurídico oferecido pela Defensoria Pública do Estado do Acre (DPE) nos dias 16 e 19 de novembro, também faz parte da programação. O serviço fornecido pela DPE, são: consultas a processos; orientações sobre pensões alimentícias; pedidos de guarda, e entre outros que já são oferecidos pela defensoria.

A carreira de Camila Cabeça chega a um ciclo ainda mais especial, em 2021 ela completa 10 anos de cantoria. Na trajetória de produtora à artista, ela fez residência artística e ministrou aulas para turmas internacionais. Como pesquisadora, desenvolveu o método artístico “Carimbó para o Despertar do Corpo”; promoveu lives durante a pandemia e viajou por cidades acreanas com projetos de “afrobetização”, que tem compromisso com a luta antirracista.

Como forma de pontuar o Dia da Consciência Negra, 20 de novembro, a programação do Festival prevê o ato “Aquilombar é Preciso”, articulado pelo Movimento Negro Unificado no Acre (MNU-Acre), com início às 9h.

Festival Afro-cultural Cabeça de Nêga (programação)

Data: 15 a 20 de novembro de 2021

Horário: de segunda a sexta, das 08h às 21h, e aos sábados das 08h às 22h

Local: Rua Barbosa Lima – Bairro da Base

Inscreva-se nas oficinas do Festival Afro-cultural Cabeça de Nêga!

Nos dias 15, 16, 18 e 19 de novembro das 14h às 17h
No dia 17 de novembro das 09h às 11h
Local: sede do Bloco Sambase
Vagas: até 20 pessoas

  1. Oficina: Meu Cabelo, Minha Identidade – https://forms.gle/c4u8CHqzbBWXsuy97
    Oficineira: Kelly Cristina Oliveira
    Data: 15 de novembro de 2021 / Horário: das 14h às 17h
  2. Oficina: Turbante – https://forms.gle/htwphJoRjcbwJ3Xk6
    Oficineira: Allańá Dï Souza
    Data: 16 de novembro de 2021 / Horário: das 14h às 17h
  3. Oficina: Legado de Mercedes Baptista –https://forms.gle/JBJAqEgH2Z6K3gnr9
    Oficineira: Camila Cabeça
    Data: 17 de novembro de 2021 / Horário: das 9h às 11h
  4. Oficina: O corpo – https://forms.gle/QP1MCCWmfgdkWh5a9
    Oficineire: Kika Sena
    Data: 18 de novembro de 2021 / Horário: das 14h às 17h
  5. Oficina: A dança e os ritmos da Marujada Brig Esperança –https://forms.gle/u5NjtrE1t28Y2K536
    Oficineiro: Mestre Aldenor e componentes do Folguedo
    Data: 19 de novembro de 2021 / Horário: das 14h às 17h

 

GOVERNO FOMENTA AÇÕES CULTURAIS REALIZADAS POR MULHERES

“Lugar de mulher é onde ela quiser” neste ano “elas” estiveram em evidência em todos os segmentos culturais; na dança, cursos, oficinas, festivais, teatro etc. O Governo do Estado do Acre através da Fundação de Cultura Elias Mansour (FEM).

Festival “Boca de Mulher”

O Festival Boca de Mulher foi realizado por meio do Instituto de Mulheres da Amazônia (IMA), com apoio da Lei Aldir Blanc. A edição 2021 trouxe várias categorias do meio artístico, levando a originalidade do primeiro Boca de Mulher, promovido em 1989. A iniciativa “Boca de mulher” existe para dar voz a artistas, feministas, poetas, cantoras, que lutam por um mundo com equidade e direitos assegurados.

O evento aconteceu no dia internacional da mulher, 8 de março, e foi transmitido pelo Instagram e pelo Youtube, a live durou cerca de 8 horas e atingiu não só os municípios do estado como também outras regiões do território nacional. Para a representante do Instituto de Mulheres da Amazônia, Concita Maia, a arte é política e a intenção do festival foi mostrar que as mulheres também são políticas e que o encontro está embasado em um ativismo político. “Queremos ecoar a voz das mulheres amazônidas.”, conta.

 

FASTCINE MULHER

O primeiro Fastcine Mulher ocorreu neste ano e se destacou no segmento audiovisual por destacar a atuação e produção das mulheres no cinema. O evento contou com 10 curtas-metragens de cineastas acreanas, dentre elas; Fátima Cordeiro, Adriana Pessoa, Kelen Gleysse, Eliene Pereira, Linda Blair, Ester Araújo, Ana Pessoa, Joelen Castro, Nonata Queiroz e Maria Irene. Segundo o presidente da ASACINE (Associação de Cinema Acreano) e coordenador do festival, Enilson Amorim, o objetivo é incentivar as mulheres a mostrarem suas produções e fazer com que a iniciativa reconheça e valorize as mulheres que construiriam e ainda constroem o audiovisual no Acre.

Além de exibir as obras, o festival premiou e reconheceu a trajetória de importantes personalidades femininas do cinema acreano.

“O Fest Cine Mulher representa uma oportunidade de apresentarmos as nossas concepções. Os pioneiros deste projeto são os cineastas Adalberto Queiroz e Enilson Amorim, no sentido de promover o protagonismo das mulheres; sejam atrizes, produtoras, diretoras. A Cultura que vai além das prendas domésticas. Podemos ver aqui, hoje, vários documentários mostrando a vivência artística/cultural do conceito particular de cada uma, como também, incentivando através das nossas, as demais mulheres a tornarem seus sonhos realidade.” Disse Fátima Cordeiro, uma das cineastas que participaram.

 

Exposição coletiva (A)gosto Delas

A iniciativa é do governo do Estado do Acre, por meio da Fundação de Cultura Elias Mansour (FEM), com curadoria da Usina de Arte João Donato. Fotografia, pintura, string art (técnica que utiliza pregos e linhas entrelaçadas para confeccionar imagens), bordado, performance musical e escultura.

De acordo com uma das curadoras do vernissage, Rosilene Nobre, a mostra é uma continuação da exposição coletiva Nas(ser) Mulher, fruto do projeto Visualidades Permanentes. “Nas(ser) Mulher teve sua única edição em março de 2020, mas não pôde permanecer exposta por muito tempo devido à pandemia. (A)gosto Delas não é a mesma exposição, mas queríamos continuar no fluxo de que diferentes linguagens artísticas pudessem ser apresentadas e oferecidas à população local de forma gratuita e permanente”, conta.

A fotógrafa Hannah Lydia, que participa da exposição e também é uma das curadoras, explica que o nome “(A)gosto Delas” tem relação com a ideia de aproximar artistas que queiram compartilhar seus gostos, olhares, experiências e vivências.

A organização da exposição coletiva pretende ainda projetar e dar visibilidade às mulheres que atuam no cenário cultural acreano. Surge como uma possibilidade de ir na contramão do apagamento da figura feminina diante da história da arte.

Participam da exposição: Allana di Souza, Alessandra Dutra, Beatriz Bentes, Bell Paixão, Bruna Duarte, Dani Mirini, Duda Modesto, Ellen Pitta, Fany Dimytria, Hanna Araújo, Hannah Lydia, Heide Genifer, Hellen Lirtêz, Isabel Darah, Kétila Flor, Laélia Rodrigues, Lara de França, Lira Montes, Marina Bylaardt, Nattércia Damasceno, Rafaela Zanatta, Rosilene Nobre, Simone Pessoa e VandSmile.

A exposição tem a pretensão de rodar outros municípios do estado.

 

No Acre: Escritora paulista Marah Mends apresenta livro sobre relações abusivas

Com seus cabelos cacheados e um sorriso no olhar. É assim que conhecemos Marah Mends, escritora paulista que está no Acre até o dia 31 de outubro. A autora realizou o lançamento de seu livro “Relações Arbitrárias” durante o show “Ela por Elas” na Usina de Arte João Donato.

“Relações Arbitrárias” foi lançado oficialmente em 2019, justamente no início da pandemia da Covid-19. O livro trata de temas como a amizade, romance, relacionamentos tóxicos, feminicídio e sororidade, temas pertinentes principalmente durante o período de isolamento social. Marah doou dois exemplares que podem ser encontrados na Biblioteca Pública Estadual Adonay Barbosa.

Livro Relações Arbitrárias foi lançado em 2019. Foto: Carol Lamar

Na sinopse: Mulheres começam a ser encontradas mortas com marcas e sinais em seus corpos. Keyah conta com a sororidade de sua amiga Mafuane, que começa a ficar preocupada se sua parceira se tornará a próxima vítima. Surpresas e tensões fazem duas mulheres negras se unirem para salvarem suas vidas e desvendarem os assassinatos. Uma história fictícia com altas doses de realidade e ao mesmo tempo inspiradora sobre narrativas de sobrevivências em um país com inúmeros casos de feminicídios.

Marah conta que essa história foi muito tranquila de escrever, porque já teve alguns relacionamentos tóxicos também. “Tem uma das personagens, a Keyah, que é uma personagem que vive um relacionamento extremamente tóxico com uma pessoa que parecia ser incrível. Rolam várias coisas absurdas. A trajetória dessa personagem foi baseada em vivências, em escutas. E aí eu peguei um monte de informações e afunilei para criar a história dela.”

As amigas, personagens centrais do livro, são de mundos completamente diferentes: Keyah é uma médica que vem de uma família culta. Sua amiga Mafuane é uma mulher mais simples e do povo. Porém esse não é um empecilho para a amizade das duas, que se tratam com respeito e igualdade. Elas são de mundos diferentes, mas, quando se conectam, percebem que têm muita coisa em comum.

“O que eu procurei colocar nessa personagem [Keyah] é que ela não é submissa, ela não sofre calada. Mas, por mais ativista e esclarecida que ela fosse, ela também passa por um relacionamento abusivo, como toda mulher corre o risco de estar”. Cada capítulo do livro é introduzido por uma frase de um serial-killer que assassinava principalmente mulheres.

Lançamento no Acre ocorreu na Usina de Arte João Donato. Foto: Instagram/Marah Mends

O sangue acreano corre nas veias de Marah. Sua avó e mãe são oriundas das terras do aquiri. “A gente que é artista segue nessa luta, né. Sou ativista cultural, escritora, formada em comunicação social. ”, conta. Antes de ser escritora, trabalhou com a comunicação de uma famosa companhia aérea. E a vida de autora não é nada fácil, já que ela deve se desdobrar em diversas atividades: “Me dediquei aos livros depois disso, e hoje também faço oficinas de escrita criativa. Além disso, faço um trabalho social com um coletivo onde visitamos penitenciárias, fazemos rodas de poesia e cada um conta sua história”, relata.

Por ser uma autora independente (que cria, escreve, revisa, edita, publica e lança seu livro sem o intermédio de uma editora), a vinda do período pandêmico fez com que Marah tivesse que mudar sua estratégia de difusão da sua obra, pois contava com eventos de saraus e eventos literários.

Com 5 livros publicados, Marah já participou de bienais no Brasil, na Argentina e em Portugal; ela inclusive esteve 3 vezes na Bienal Internacional do Livro em São Paulo. Os interessados em adquirirem o exemplar podem procurar a autora através do instagram @marah_mends. As obras também estão disponíveis na Amazon, em formato físico e digital.

A autora realizou visita à sede da FEM. Foto: Carol Lamar

Ela também dá uma dica para autores que passam por bloqueios criativos durante o processo de escrita. “Quando isso acontece, eu paro um pouco, vou no quintal, vou conversar com meu cachorro, vou dar uma volta na rua. Aí quando você volta você tá com uma ideia diferente ou que complementa aquilo que você não conseguia terminar. Você tem que dar uma desligada quando tá com bloqueio. Então faz uma coisa diferente, vai conversar com uma pessoa na rua. Quando você voltar você vai ver que sua cabeça tá mais tranquila pra continuar”.

Peça de teatro revive a cultura acreana

O que você sabe sobre a sua história? Sua família migrou do Nordeste? Seus avós atuaram como seringueiros? Essas perguntas foram trabalhadas de maneira artística pelo grupo de teatro Candeeiro.

A peça “Afluentes Acreanas” contou com 12 apresentações distribuídas entre sábados e domingos no Memorial dos Autonomistas. A peça foi escrita por Maria Jaqueline que é recém-formada em Artes Cênicas pela Universidade Federal do Acre (UFAC).  A multiartista atua e dirige o espetáculo.

Arquivo pessoal: Teatro Candeeiro

A ideia da peça surgiu a partir de uma pergunta que ela fez a si mesma sobre quem ela era, suas origens indígenas etc.

A peça trouxe a história de mulheres que sofreram com violências diversas no estado, por exemplo, a história de Angelina. O livro Melo do Pote de Marcus Vinicius é uma das fontes de pesquisa do grupo. Ela conversou com familiares e muitas histórias e construções sociais que ela ouviu e percebeu em sua ancestralidade foram colocadas na peça.

A construção da peça é definida com “um espetáculo íntimo” por ser sobre o reconhecimento dos atores, sobre a consciência da própria história e trajetória. O grupo buscou de maneira coletiva trazer esse “pertencimento acreano” explorando a própria historicidade familiar.

Arquivo pessoal: Teatro Candeeiro

Desde o início havia uma preocupação por parte da diretora de como os atores e o público iriam receber as informações sobre a cultura acreana. Fatos e personagens do passado da cidade se misturam com problemáticas atuais. Uma das abordagens faz uma crítica a xenofobia e ao apagamento do estado em contexto regional e nacional.

A preocupação na montagem era de valorizar o estado, “essa peça só faz quem é acreano”, todo o figurino, artes etc. foram feitas por acreanos. Isso foi colocado desta forma para chamar a atenção da população.

“Se a gente não recepciona e não fala bem desse lugar não tem motivo para quaisquer outras pessoas acharem aqui bom.”, disse a diretora.

A peça foi apresentada em uma mostra de São Paulo e segundo a atriz, a cultura do estado cativou os paulistanos. Há muito achismo e folclorização sobre o estado.

“Florestas perpetuam e o nosso fim, enfim chegou.”. Esta frase é ditada ao final da peça e fala sobre entender, defender e respeitar o nosso lugar, mesmo que as histórias nem sempre sejam boas, mas devemos preservar aquilo que ficará, a natureza.

Arquivo pessoal: Teatro Candeeiro

‘ELA POR ELAS’, show com repertório de Elza Soares, invoca vozes femininas acreanas

Homenageando a grande cantora carioca Elza Soares, o show “Ela Por Elas” está com data marcada para o dia 23 de outubro, às 19h no palco do teatro da Usina de Arte João Donato, em Rio Branco. A realização é de Sandra Buh e tem financiamento da Lei Aldir Blanc, através da Fundação de Cultura Elias Mansour.

O concerto é gratuito e tem a participação de Nathânia Oliveira, Gigliane Oliveira, Carol Di Deus, Narjara Saab, James Fernandes, Denilson Carneiro, José Luís, João Gabriel, Nilton e participação especial de Maya e Maracatu Nação Pé Rachado.

Elza Soares é a grande homenageada pelo show ‘Elas por Elas’. Foto: Reprodução

Elza Soares é cantora e compositora. Nascida em 23 de julho de 1930 no Rio de Janeiro, já foi eleita como a cantora brasileira do milênio pela rádio BBC de Londres. Símbolo nacional de resistência, “Elzinha”, como foi carinhosamente apelidada, já passou por diversas lutas: em 1950 teve uma filha sequestrada; sofreu violências físicas causadas pelo alcoolismo do marido; perdeu um filho para um acidente de carro; em 2013 sofreu um acidente durante uma performance e em 2014 precisou passar por uma cirurgia na coluna.

“Ela por Elas” tem entrada gratuita. Devido a pandemia da Covid-19, o uso de máscaras é obrigatório durante a permanência no espaço.

REALIZAÇÃO: Sandra Buh

PRODUÇÃO: AcreAtiva Produções

FINANCIAMENTO: Fundação Elias Mansour com recursos do Governo Federal através da lei Aldir Blanc.

ELENCO:

Cantoras: Sandra Buh, Nathânia Oliveira, Gigliane Oliveira, Carol Di Deus, Narjara Saab.

Músicos: James Fernandes (Direção Musical), Denilson Carneiro, José Luís, João Gabriel e Nilton

Participação Especial: Maya e Maracatu Nação Pé Rachado

Exposição (a)gosto delas chega à Escola de Gastronomia na Cidade do Povo

“(A)gosto delas” é uma iniciativa do Governo do Acre por meio da Fundação de Cultura Elias Mansour (FEM) com curadoria da Usina de Artes João Donato. A exposição teve sua primeira edição no Memorial dos Autonomistas e contou com 23 artistas, além de outras artistas que contribuíram com sua realização. A mostra reúne expressões de diferentes técnicas, expressões e linguagens.  As obras foram pensadas de forma individual e coletiva e trazem uma perspectiva única sobre o assunto. Cada uma delas é carregada de autenticidade e discutem diferentes questões sobre o feminino, trazendo não só a beleza, mas as diversas “mulheridades”, expressões e denúncias.

Foto: Hannah Lidya

A exposição é a extensão de outra que foi pensada no ano de 2020 ” Nascer mulher” que buscava aproximar mulheres de todos os lugares e seguimentos, porém, devido a pandemia da COVID-19, o projeto foi interrompido. A ideia é abranger o diálogo, ver o que cada uma está produzindo e colocar em evidência a sua produção.

Flaviane Rodrigues estava em um curso na Escola de Gastronomia e aproveitou para prestigiar a exposição. Aos 28 anos, ela disse que nunca tinha ido a uma exposição de arte, especialmente apenas de mulheres “Eu acho que deveria ter mais exposições assim, porque agrega na cultura, além de ser uma experiência única e nova.” Disse.

Simone Pessoa é coordenadora da Usina e participou da montagem da exposição e falou de sua importância.

“A cultura é feita pelo povo e para o povo e a gente sabe e tem consciência de que boa parte dos bairros e comunidades não tem acesso, porque isso não está democratizado. A partir do momento em que nós trazemos os artistas, é uma forma de que esta comunidade posso ter acesso e se sinta parte disso.”

Simone Pessoa

A Usina e a escola de gastronomia fazem parte do Instituto de Desenvolvimento da Educação Profissional Dom Moacyr Grechi (IEPETEC). Francisco Weider é o Coordenador de aprendizagem e falou sobre a dificuldade que há em viabilizar o acesso à arte no local devido ao estigma de marginalidade. “É importante que nós comecemos a dar voz a quem necessita dar voz.”. Para o professor, o conhecimento nos torna mais humanos e com maior compreensão, principalmente se relacionadas às temáticas como a da exposição. As obras são uma denúncia, mas elas também acalentam o coração e o espírito.”

Atualmente, a exposição conta com 19 artistas e a pretensão é que as obras visitem outros municípios do estado. A exposição fica disponível no hall do 1° piso da escola, até o dia 30 de setembro. 

Foto: Hannah Lidya
Foto: Hannah Lidya

Exposição coletiva traz visibilidade feminina pela arte

A exposição (A)gosto Delas tem sua estreia marcada para este domingo, 15, às 18h no Memorial dos Autonomistas, em Rio Branco. A edição reunirá 23 artistas mulheres que produzem arte em diferentes linguagens, da literatura ao grafite.

A iniciativa é do governo do Estado do Acre, por meio da Fundação de Cultura Elias Mansour (FEM), com curadoria da Usina de Arte João Donato. Fotografia, pintura, string art (técnica que utiliza pregos e linhas entrelaçadas para confeccionar imagens), bordado, performance musical e escultura são algumas das formas de arte que serão levadas ao público.

De acordo com uma das curadoras do vernissage, Rosilene Nobre, a mostra é uma continuação da exposição coletiva Nas(ser) Mulher, fruto do projeto Visualidades Permanentes. “Nas(ser) Mulher teve sua única edição em março de 2020, mas não pôde permanecer exposta por muito tempo devido à pandemia. (A)gosto Delas não é a mesma exposição, mas queríamos continuar no fluxo de que diferentes linguagens artísticas pudessem ser apresentadas e oferecidas à população local de forma gratuita e permanente”, conta.

A fotógrafa Hannah Lydia, que participa da exposição e também é uma das curadoras, explica que o nome “(A)gosto Delas” tem relação com a ideia de aproximar artistas que queiram compartilhar seus gostos, olhares, experiências e vivências.

A organização da exposição coletiva pretende ainda projetar e dar visibilidade às mulheres que atuam no cenário cultural acreano. Surge como uma possibilidade de ir na contramão do apagamento da figura feminina diante da história da arte.

Participam da exposição: Allana di Souza, Alessandra Dutra, Beatriz Bentes, Bell Paixão, Bruna Duarte, Dani Mirini, Duda Modesto, Ellen Pitta, Fany Dimytria, Hanna Araújo, Hannah Lydia, Heide Genifer, Hellen Lirtêz, Isabel Darah, Kétila Flor, Laélia Rodrigues, Lara de França, Lira Montes, Marina Bylaardt, Nattércia Damasceno, Rafaela Zanatta, Rosilene Nobre, Simone Pessoa e VandSmile.

Exposição coletiva (A)gosto Delas – lançamento dia 15/08 às 18h

Período de visitação: 15 a 31 de agosto

Local: Memorial dos Autonomistas

Horário: Segunda a sexta – das 8 às 12h e das 14 às 18h

Sábado e domingo – das 16 às 20h

Leia também: A arte resgata: Professor da rede pública de Senador Guiomard busca reviver a identidade acreana

Biblioteca itinerante do Caquetá incentiva a leitura no interior do estado

“ A escola pode ser uma ilha de saber e de fomento à cultura no oceano de ignorância que nos cerca. ”

Quantas historias cabem sobre as rodas de um triciclo? A bibliotecária Maria da Conceição popularmente conhecida como “Çeiça” é a responsável pela biblioteca da Escola União e Progresso, localizada na agrovila do Caquetá em Boca do Acre. Ao invés de esperar pelas pessoas na biblioteca, ela decidiu levar as informações contidas nas prateleiras para cada leitor, por meio do projeto “Biblioteca itinerante” que visa levar livros nos ramais e vilas adjacentes.

Arquivo pessoal: Maria da Conceição.

Desde menina, Ceiça descobriu nos livros a possibilidade de ir para outros lugares através das linhas, estrofes e parágrafos. A Bibliotecária sabe o que é não ter livros para ler, sua infância também foi em escolas rurais as quais não haviam muitos exemplares disponíveis. Por isso, ela sente a necessidade de fazer este trabalho, por compreender a dimensão e o impacto que ele tem.

“As crianças chegam na escola sem ter contato com livros, o objeto físico. As crianças não têm qualquer contato além dos livros didáticos e por isso, o objetivo é levar o acesso à cultura letrada em fase do ensino fundamental um para o ensino fundamental dois” explica a educadora.

Maria da Conceição

A lei Aldir Blanc atuou e atua não só na cultura, mas também em outros aspectos sociais, como por exemplo reduzir o analfabetismo na localidade. Devido ao direcionamento literário de indicar o livro certo para o leitor certo, mais de 70% da escola tem desenvolvido o pensamento crítico e como consequência natural, aperfeiçoado a leitura e a escrita. Ceiça acredita que este trabalho contribui com o sucesso escolar e que a escola precisa fazer a diferença seja no campo ou na cidade. Na vila onde mora, a bibliotecária é uma referência pelo conhecimento que carrega e pela prestatividade e solidariedade em partilhar isso com os seus vizinhos, alunos e pais de alunos. Devido a sua personalidade como educadora se sobressair, a comunidade a titula como a pessoa mais “sabida” da Vila.

No clube de leitores, se destacam as meninas e seus interesses pela leitura que entra em contraponto com a realidade a qual elas vivem. Quando ela lê para essas meninas, isso significa transportá-las para um mundo melhor do que o que elas vivem.“ O mundo em que elas vivem é um mundo impensável para nós, porque para elas, diferente do que a gente pensa, o oriente médio é aqui.”, afirma a educadora.

Arquivo pessoal: Maria da Conceição.

Ceiça se considera uma pessoa de comunidade rural por natureza, logo, costuma dizer que é nascida “no campo e criada no asfalto”. No ano de 2015 ela decidiu ir morar na zona rural, a fim de buscar transformação na educação da região “eu sinto que aqui eu sou só mais uma “Ceiça”, lá eu posso fazer a diferença”. Há 6 anos ela direciona, auxilia e escolhe a “obra certa para o leitor certo”. Como professora e leitora, ela entende a escola como lugar de mudanças sociais e se as pessoas não podem ir até uma biblioteca, porque não levá-la até as pessoas?. A professora e bibliotecária realiza este trabalho muito antes do auxílio da lei por acreditar que os livros são capazes de mudar a vida de alguém.

“ Depois que eles tiveram contato com os livros certos eles mudaram, porque o livro faz isso com a pessoa né? ”

Maria da conceição (ceiça)

Dentre os trabalhos que a educadora realiza onde mora, está a busca pelo reconhecimento de alunos indígenas Jaminauás e Apurinãs no ambiente escolar. Boa parte deles possuem vergonha de seus sobrenomes por não serem a maioria dos alunos na escola. Como consequência disso, eles se afastam do ambiente escolar por não encontrar representatividade. Ao perceber isso a bibliotecária começou a trabalhar o pertencimento etno-racial através da leitura.

O triciclo pretende espalhar ainda mais o incentivo à leitura sobre as vielas de um ramal na pequena Agrovila do Caquetá. Como diria o poeta Mário Quintana “O leitor que mais admiro é aquele que não chegou até a presente linha. Neste momento já interrompeu a leitura e está continuando a viagem por conta própria”. O projeto está previsto para iniciar neste mês de agosto.

 

Arquivo pessoal: Maria da Conceição.

 

Artesãs lançam a exposição “Mandalas e Olhos de Deus”

Assessoria do evento

Nesta quinta-feira, dia 29 de julho, as artesãs Lauana Maria e Giane Mary apresentam a exposição Mandalas e Olhos de Deus, na Casa de Cultura Vivarte às 18h. A exibição é financiada pela Lei de Emergência Cultural Aldir Blanc, através do edital nº 02/2020 – Arte e Patrimônio, lançado pela Fundação de Cultura Elias Mansour (FEM).

“Nos últimos dois meses, estávamos em intensa preparação, produzindo as peças e pensando cada detalhe de forma que a exposição represente, de fato, o importante momento em que nos encontramos na nossa trajetória profissional”, comenta a artesã Lauana Maria, proponente do projeto.

As mandalas foram produzidas pelas artesãs Giane Mary e Lauana Maria. Foto: Cedida.

Serão apresentadas 30 peças produzidas com graus diversos de complexidade e significados distintos. Além disso, o lançamento conta com apresentação musical de Gabi Oliveira e Gabriel Neto, com um repertório especial, e com a parceria da Flor da Amazônia – Doces Artesanais. Pela situação de pandemia da Covid-19, os cuidados sanitários serão observados; assim, o evento acontece com limite de público, uso obrigatório de máscaras e álcool 70º. Após o lançamento, a exposição ficará disponível por mais 30 dias e a visita deve ser agendada previamente com as artesãs, via rede social.

“Trouxemos para a exposição cores, trançados e muito afeto. Quando começamos, não imaginávamos a proporção que tudo iria tomar, os caminhos que iríamos trilhar e o repertório que iríamos construir. É chegado o momento de compartilhar as conquistas com nosso público”, conta a artesã Giane Mary.

Artesã realiza exposição de bonecas Abayomis com recursos da Lei Aldir Blanc

Retomando suas atividades culturais após a paralização imposta pela pandemia da Covid-19, com o suporte trazido pela Lei de Emergência Cultural Aldir Blanc, foi lançada nesta sexta-feira, 16, a segunda edição da exposição “Abayomis – Homenagem ao Feminino”. O projeto é financiado pelo edital nº 05/2020 – Cultura Afro-brasileira, lançado pela Fundação de Cultura Elias Mansour (FEM).

A exposição acontece no Centro Espírita Santa Bárbara, localizado no Barro Vermelho, zona rural de Rio Branco. O público que compareceu à abertura é amplo: incluiu filhos de santo e frequentadores da casa e os residentes do seu entorno, além de artesãos e do público geral interessado. A exposição permanece disponível ao público pelos próximos 30 dias, respeitando todas as normas sanitárias recomendadas por decreto estadual.

Ariady Andrade, idealizadora do projeto. Foto: Cedida.


Contam as histórias antigas que, para acalentar seus filhos durante as longas viagens a bordo dos navios negreiros, as mães africanas rasgavam retalhos de suas roupas e a partir deles criavam pequenas bonecas, feitas de tranças ou nós, que serviam como amuleto de proteção e entretenimento para os pequenos. As bonecas, símbolo de resistência, ficaram conhecidas como Abayomis, termo que significa “encontro precioso”, em Iorubá.

Há alguns anos, a pesquisadora e artesã acreana Ariady Andrade vem trabalhando com diversas atividades relacionadas às culturas afro-brasileiras, e as Abayomis ganharam destaque em sua trajetória. “Meu contato com as Abayomis começou em 2006, quando participei do projeto Brincando como Antigamente: Jogos e Brincadeiras Tradicionais, da Fundação Garibaldi Brasil. A partir de então, me encantei pelas bonecas e fui buscar suas origens, passando a estudá-las e pesquisá-las, me aproximando e me apropriando desse saber”, comenta Ariady.

Em 2017, através de oficinas de formação, a artesã passou a compartilhar este saber em diversos espaços, atendendo diferentes públicos. As Abayomis foram ganhando o coração das pessoas: era comum ver os participantes apaixonados pelas bonecas que confeccionavam, cada uma carregada de simbolismos e energias positivas.